Irã acumula meio bilhão em stablecoins para driblar sanções, afirma relatório

O Banco Central do Irã acumulou ao menos US$ 507 milhões em USDT por meio de uma rede discreta de carteiras digitais, segundo relatório da empresa de análise blockchain Elliptic. A estratégia teve como objetivo contornar sanções internacionais e sustentar o rial, moeda local em forte desvalorização.
Os dados indicam que as compras ocorreram principalmente entre abril e maio de 2025, financiadas com dirhams dos Emirados Árabes Unidos, o que permitiu manter reservas em dólar fora do alcance direto das autoridades dos Estados Unidos. Inicialmente, os recursos eram direcionados à corretora iraniana Nobitex para fornecer liquidez ao mercado interno.
Após um ataque cibernético à Nobitex em junho de 2025, que resultou na perda de cerca de US$ 90 milhões, o banco central alterou a operação. Os fundos passaram a circular por pontes entre blockchains e corretoras descentralizadas, migrando da rede Tron para a Ethereum para dificultar o rastreamento.
O USDT foi usado tanto para tentar estabilizar o rial quanto para criar um sistema financeiro paralelo, permitindo pagamentos internacionais e recebimento de exportações sem recorrer ao sistema bancário tradicional. Apesar disso, a transparência da blockchain possibilitou o monitoramento das transações.
Em junho de 2025, a Tether bloqueou carteiras associadas ao esquema, congelando aproximadamente US$ 37 milhões. O caso mostra que, embora criptoativos sejam usados para driblar sanções, eles também deixam rastros que podem ser usados para fiscalização e bloqueios.







