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Bitcoin vai revolucionar o mercado de ações e valores mobiliários

Entenda como o Bitcoin e a tecnologia da timechain, desenvolvida por Satoshi Nakamoto, pode revolucionar o mercado de ações e valores mobiliários através da tokenização de ativos.

Bitcoin: um livro-razão descentralizado, criado por um exército de mineradores (executivo), julgado e mantido por um conjunto voluntário de rodadores de nós (judiciário), cujas leis são escritas por desenvolvedores de software livre (legislativo). Esta é a base fundamental do funcionamento do Bitcoin, o primeiro dinheiro digital descentralizado da história.

A tecnologia da timechain (ou blockchain), apesar de ter muitas de suas aplicações potenciais superestimadas por empresas e startups ao redor do mundo, possui uma aplicação que ainda é pouquíssima explorada dentro do ecossistema Bitcoin: trata-se da tokenização de ativos e valores mobiliários.

Mas afinal, o que é um valor mobiliário?

Essencialmente, um valor mobiliário é um contrato de investimento emitido por uma empresa ou instituição. Estes títulos podem representar as ações de uma empresa ou governo, títulos de dívida, derivativos e outros. Primordialmente, os valores mobiliários são um pilar fundamental dos mercados financeiros e da economia real, visto que permitem a alocação de capital e recursos dentro de uma economia.

Os mercados de capitais modernos foram moldados na Europa durante o milênio passado, tendo sido fundamentais para financiar eventos históricos, como a exploração das Américas e a Revolução Industrial.

No entanto, os mercados financeiros, bem como os seus conceitos e produtos de investimento, são tão naturais e espontâneos quanto o próprio comércio humano. Estudos apontam para povos antigos, como os Fenícios (1.500 a.C. a 300 a.C), exímios construtores de navios, possuindo complexos mercados de capitais, que eram utilizados para financiar a construção de embarcações e o comércio internacional no mediterraneo.

Os mercados financeiros evoluíram ao longo da modernidade e se tornaram o que conhecemos hoje, com as bolsas de valores, ações, títulos de dívida, títulos de investimento, agências reguladoras, ETFs, derivativos, futuros e tudo que compõe este ecossistema global.

Uma nova era?

Demorou alguns anos desde a criação do Bitcoin para que alguém tivesse a ideia de registrar outros tokens em redes de segunda camada, como foi o caso do antigo RealCoin, que foi renomeado para Tether (USDT), lastreado no dólar americano.

“Em 2012, JR Willett publicou um whitepaper que descrevia a possibilidade de construir novas criptomoedas em cima do Bitcoin blockchain. […] O precursor do Tether, originalmente chamado de “Realcoin”, foi anunciado em julho de 2014 pelos cofundadores Brock Pierce, Reeve Collins e Craig Sellars como uma startup baseada em Santa Mônica. Os primeiros tokens foram emitidos em 6 de outubro de 2014, na Bitcoin blockchain.” – História da Tether.

Devido à capacidade limitada dos blocos da timechain do Bitcoin, a utilização de redes de segunda camada se faz essencial para a manutenção do objetivo central do protocolo. Dessa forma, a camada 1 do Bitcoin permanece como base forte para a rede, e sidechains fornecem uma maior complexidade e novas aplicações.

A Liquid Network, que opera sob uma estrutura de federação, permite a emissão de tokens, que podem ser negociados de maneira mais ágil e com custos reduzidos. A Liquid foi escolhida pelo governo de El Salvador para a emissão do Bitcoin Volcano Bond, um título de dívida soberana que será o primeiro do gênero no mundo.

Por sua vez, a Lightning Network (LN), principal sidechain do Bitcoin, está em processo de se tornar um hub para a emissão de tokens no protocolo através do Taro, introduzido em recentes atualizações.

Mas afinal, o que muda?

A tokenização de ativos na rede Bitcoin tem o potencial de mudar para sempre o paradigma de funcionamento dos mercados de capitais.

Potencialmente, empresas de qualquer porte podem agora facilmente emitir valores mobiliários, que podem ser negociados de pessoa para pessoa através de redes blockchain. O processo para emissão de valores mobiliários no mercado tradicional pode ser altamente burocrático, caro e demorado.

Da mesma forma, indivíduos de todo o mundo podem se expor a empresas de qualquer jurisdição de forma mais simples e menos burocrática.

Essencialmente, valores mobiliários pagam aos seus detentores ativos líquidos. Certamente, o principal ativo nos mercados financeiros atualmente é o dólar americano. No entanto, a tokenização de ativos pode ser uma grande oportunidade para mudar este paradigma, e permitir que dividendos sejam pagos em BTC.

Estes ativos tokenizados podem também ter a característica de serem pseudo-anônimos e sem permissão. Dessa forma, quem possui as chaves que dão direito a movimentação dos tokens, poderão potencialmente receber BTC em suas carteiras de maneira muito mais privada do que ocorre atualmente.

Imagine, por exemplo, possuir algumas ações da Coca Cola em sua carteira Lightning e receber periodicamente dividendos em BTC sem a necessidade de fornecer nenhuma informação pessoal para isso.

Apesar da natureza centralizadora das agências reguladoras, como a Securities and Exchange Commission (SEC), instituição que regulamenta os mercados de capitais dos Estados Unidos, é inegável que estas instituições prestam um importante papel de fiscalização. É importante que as empresas e seus responsáveis se comprometam com certas condutas para evitar que seus investidores sejam fraudados.

Mas afinal, como garantir que certas normas sejam cumpridas pelas empresas?

É certamente necessário que haja instituições que fiscalizem e executem ações contra empresas que não estão em conformidade com certas regras básicas dos mercados. E este problema deve ser resolvido de forma eficaz através da livre concorrência entre agências reguladoras estatais e privadas operando em diferentes jurisdições.

Eventualmente, certas jurisdições e instituições podem se especializar em uma fiscalização internacional de aplicação de regras para valores mobiliários tokenizados.

Na prática, este movimento já está ocorrendo, com jurisdições se tornando mais amigáveis aos novos ativos do cripto-mercado, como é o caso de Singapura e Dubai.

Altcoins podem se tornar equity tokens no Bitcoin?

Essencialmente, a grande maioria das “criptomoedas” do mercado são nada mais do que valores mobiliários de startups tokenizados em redes blockchain. No entanto, muitos destes ativos não pagam dividendos em ativos líquidos, o que é obviamente algo absurdo e sem sentido.

Os modelos de negócios variam, mas a grande maioria são insustentáveis, às vezes devido a serem simplesmente empresas fracassadas, ou a estrutura de tokens sem sentido. Por exemplo, muitas dessas empresas captam parte dos lucros, realizam a compra dos tokens no mercado e os queimam posteriormente.

Apesar de movimentarem o preço, essas operações dificultam o cálculo econômico e aumentam potencialmente a volatilidade desses ativos.

Há não muito tempo, o Arcade City, uma alternativa aos aplicativos de carona, migrou da rede Ethereum para a Lightning do Bitcoin, abandonando uma economia baseada em um token próprio insustentável. Agora o aplicativo opera em uma economia baseada em Bitcoin.

Dessa forma, o Bitcoin pode se desenvolver para ser a base não somente do dinheiro global, mas de todo o sistema financeiro.

João Souza

Chefe de conteúdo, analista de SEO e empreendedor. [email protected]

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