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Fiuza Bitcoin: candidato do Novo quer tornar Brasil centro para o Bitcoin

O Boletim BTC realizou uma entrevista exclusiva com o candidato a deputado federal Cleverson Fiuza, que adotou o nome de campanha Fiuza Bitcoin, e vai concorrer ao cargo de representante do estado de São Paulo pelo partido Novo.

Fiuza, que se identifica com as ideias liberais e libertárias, tem como sua principal pauta de campanha o Bitcoin, a maior rede monetária descentralizada do mundo, que está ganhando cada vez mais espaço na economia mundial.

Acompanhe as respostas do candidato na íntegra. Mas antes, se inscreva em nosso canal do Youtube, onde realizaremos um podcast com o candidato.

-Como você conheceu o Bitcoin? 

“Acho que, como a maioria, entre o primeiro contato com o Bitcoin e começar a investigar sobre o assunto foram alguns anos. Comprei meus primeiros bitcoins por curiosidade numa conversa informal em janeiro de 2018.

Foi por sorte porque em julho do mesmo ano me vi em Israel com cartão de crédito bloqueado e sem um único shequel  ou dólar na mão e foi com Bitcoin que paguei a conta do bar.  Imagina o meu sufoco devendo pra judeu em Israel?!?

Seis meses depois, na pós graduação em Escola Austríaca, com alguns colegas, comecei a estudar o Bitcoin e pude, então, perceber todo o seu potencial. Aliás, ainda me surpreendo com algumas soluções trazidas pelo Bitcoin. 

A primeira lição que aprendi com o Bitcoin foi o de calçar as sandálias da humildade. Assim começou a transformação da minha vida. “

-Como você vê o criptoativo? 

“Vejo como a maior invenção da humanidade. 

Entretanto, hoje sou candidato a Deputado Federal com a bandeira única Bitcoin, não pela sua tecnologia disruptiva, mas sim pela insanidade que é o sistema monetário baseado nas moedas fiduciárias. “

-Quais características fazem você valorizar a rede descentralizada?

“Justamente a descentralização é uma das principais. É confortante saber que está surgindo uma moeda que não pode ser confiscada, falsificada ou inflacionada por nenhum delinquente, nem mesmo estatal. 

É claro que os aspectos práticos, como o sufoco que o BTC me tirou em Israel e a agilidade que está vindo com a LN, uma espécie de PIX internacional, também são fantásticos. 

Mas é na evolução da sociedade que vejo a maior vantagem do Bitcoin. Sendo por desenho uma moeda deflacionária, voltarão os tempos de nossos avós que guardavam o dinheiro debaixo do colchão. 

Todo esse desespero e ansiedade do que fazer com o dinheiro antes que desvalorize, toda essa altíssima preferência temporal, traumas dos tempos pré Real, toda essa sensação horrível de estar empobrecendo a cada dia acabarão de vez. Poderemos nos concentrar naquilo que sabemos e queremos fazer. Não precisaremos mais ser todos experts em investimentos. Voltaremos a ser meros poupadores. 

Voltaremos ao tempo que ganhar dinheiro dará trabalho, tempo de moralidade, responsabilidade e, claro, liberdade. “

-Como você enxerga o sistema financeiro atual e as moedas fiduciárias? 

“Um terror, um verdadeiro esquema ponzi que se sustenta somente com mais e mais dinheiro sendo impresso e agregado à base monetária. 

O sistema atual fiduciário traz incentivos preocupantes como a irresponsabilidade na alocação de recursos, premiando os mais ousados sem a contrapartida dos riscos que deveriam assumir. Sistemas assim, permitem surgir crises como a de 2008, com o insano crédito ao subprime, governos inconsequentes como o da Venezuela ou Argentina, citando apenas os mais próximos. 

Se analisarmos bem, até mesmo as guerras, justificativas usadas para fugir do padrão ouro, só se mostram viáveis com o sistema fiduciário de moeda.”

-O Bitcoin é uma alternativa superior ou mesmo um concorrente direto para as moedas dos governos?

“Vejo o Bitcoin algo mais parecido com o ouro, como bem de reserva, porquanto o resto, as fiats são meros créditos dos BCs [Bancos Centrais] que, a meu ver, não gozam de grande credibilidade. O Bitcoin é um substituto do ouro com todas as vantagens: mais escasso, mais prático, mais escalável, mais seguro, enfim… tudo de bom. 

Quanto às moedas dos governos, não há como comparar esses dois sistemas. Os governos se sustentam porquanto os inocentes usuários dos papeizinhos coloridos lastreados em honestidade de político acreditarem que estes valem alguma coisa. […]

Carrego a crença de que todos os países caminham para uma venezuelização, alguns de forma mais rápida, outros, por serem mais comedidos e cautelosos, demorarão um pouco mais. Mas o fim será o mesmo até que a população institua o Bitcoin como moeda corrente. Aí novos tempos de prosperidade surgirão. 

Contra este destino inexorável, o máximo que podemos fazer é adotar a moeda Bitcoin antes do colapso monetário.”

-Como você planeja ajudar na adoção do Bitcoin, caso seja eleito? 

“Bitcoin é bem mais que moeda. É também um sistema de pagamento que, de tão superior ao sistema monetário atual, será adotado de forma espontânea pela população. Minha pretensão no Congresso é de não deixar que atrapalhem ou retardem este processo. 

Nada obstante, vejo o Bitcoin como um componente importante no sistema energético do país, servindo como um estoque de energia, gerando BTCs enquanto houver fontes com sobra de energia e bancando a geração, por termo-elétricas quando em falta. Nisso o governo pode ajudar, digo, atrapalhar menos se tivermos um ambiente mais propício. 

Ademais, há tanta burocracia e insanidade tributária para resolver… trabalho não vai me faltar em Brasília.”

-Pretende propor algo como a Lei Bitcoin de El Salvador para tornar o criptoativo moeda legal?

“A princípio não. Das duas uma, lá em Brasília quem já percebeu o poder do Bitcoin e o fim de sua mamata, será contra. Quem não percebeu não se importará com um projeto assim. Mas se vier a propor, não deverá ser de curso obrigatório. Usará quem quiser, em plena conformidade à ética libertária. “

-Você se identifica com ideias liberais e libertárias. Como pretende fomentar a diminuição governo, redução de impostos e pautas relacionadas?

“Me identifico com a ética libertária. Zero governo, mas não de forma revolucionária ou inconsequente. Gradativamente, privatizando tudo, restringindo paulatinamente a atuação do governo para que atue apenas em questões essenciais: segurança, saúde e educação. Nesta fase de transição vou valorizar apenas estes três segmentos do funcionalismo público e apenas os que estiverem nas atividades fins. 

Mas devo reconhecer que, neste aspecto, os liberais ou mesmo os libertários terão pouco poder para mudar essa realidade. O establishment é poderoso e perverso e muito bem organizado. 

Por sorte tivemos um herói: Satoshi Nakamoto, cuja invenção – ou descoberta – nos livrará do caminho da servidão. Como diz o dito já popular: Bitcoin resolve isto.”

João Souza

Chefe de conteúdo, analista de SEO e empreendedor. [email protected]

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