Pessoa encapuzada usa um notebook em ambiente escuro, cercada por moedas de bitcoin
Cripto

Golpes com criptomoedas: os mais comuns e como se proteger em 2026

Conheça os golpes com criptomoedas mais comuns, de pirâmides a falso suporte e romance, com alertas da CVM, PF e FBI, sinais de fraude e onde denunciar.

Imagem: Boletim Bitcoin

Por Redação Boletim Bitcoin

. Leitura de 7 min.

Os golpes com criptomoedas mais comuns são pirâmides com promessa de rendimento fixo, falsos robôs de trading, golpes de romance e de falso investimento, falso suporte que pede a seed phrase e sites ou aplicativos falsos que esvaziam carteiras. Em todos eles, o golpista explora pressa, ganância ou medo. A melhor defesa é reconhecer os sinais antes de enviar qualquer valor, porque transações em blockchain não têm estorno.

Em resumo: nos EUA, o FBI registrou US$ 11,37 bilhões em perdas ligadas a cripto em 2025, a maior parte em fraudes de investimento. No Brasil, pirâmides que prometiam até 10% ou 11% ao mês deixaram dezenas de milhares de vítimas. Regra de ouro: rendimento garantido não existe, e ninguém legítimo pede sua seed phrase.

O tamanho do problema em números

Fraudes com cripto nos EUA em 2025 (FBI IC3)

US$ 11,37 biperdas em queixas ligadas a cripto
181.565queixas envolvendo cripto
US$ 7,2 biperdas em fraudes de investimento com cripto
US$ 4,43 biperdas de vítimas com 60 anos ou mais

Os números são do relatório anual de 2025 do IC3, o canal de denúncias de crimes na internet do FBI, detalhados em reportagem da Bitcoin Magazine. Golpes com caixas eletrônicos de cripto somaram US$ 389 milhões, alta de 58% sobre 2024. A empresa de análise Chainalysis estimou mais de US$ 17 bilhões em golpes no mundo em 2025, com alta de mais de 1.400% nos golpes de falsificação de identidade, muitos com uso de inteligência artificial, segundo a Decrypt.

Os golpes com criptomoedas mais comuns

1. Pirâmide com “rendimento garantido”

A empresa promete lucro fixo, como 5% ou 10% ao mês, atribuído a um robô, arbitragem ou “trading profissional”. Os primeiros participantes recebem com o dinheiro dos que entram depois, até o esquema parar de pagar.

Dois casos brasileiros mostram o padrão:

  • Braiscompany: prometia juros de até 10% ao mês e deixou cerca de 20 mil pessoas com prejuízo quando parou de pagar, no fim de 2022. Em fevereiro de 2024, a Justiça Federal condenou dez integrantes, incluindo os sócios, em decisão que ainda cabia recurso, segundo o InfoMoney.
  • Trade Coin Club: prometia até 11% ao mês com um suposto “robô de microtransações”. Segundo as investigações, captou cerca de R$ 1,6 bilhão de mais de 100 mil investidores entre 2016 e 2018. Em abril de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Fantasos, com apoio do FBI, para cumprir mandados de busca, segundo o InfoMoney. A reportagem não registrava condenação no caso naquela data.

2. Falso investimento com romance ou amizade

Conhecido em inglês como pig butchering. O golpista cria uma relação por aplicativo de namoro, rede social ou mensagem “por engano” e, semanas depois, apresenta uma plataforma de investimento que mostra lucros falsos. A vítima deposita cada vez mais e, ao tentar sacar, é cobrada por “taxas” e “impostos” até desistir.

3. Falso suporte e phishing

Alguém se passa pelo atendimento da corretora, do banco ou do fabricante da carteira e pede a seed phrase, um código de verificação ou acesso remoto ao computador. Também é comum o e-mail ou SMS com link para um site idêntico ao original. Entenda por que a seed é o alvo em seed phrase.

4. Sites, apps e airdrops falsos (drenadores)

Anúncios patrocinados levam a cópias de aplicativos de DeFi ou carteiras. Ao “conectar a carteira” e assinar uma permissão, o usuário autoriza o contrato do golpista a levar seus tokens. Promessas de token grátis são isca frequente; veja airdrop de criptomoedas.

5. Robôs, sinais e “gestores” milagrosos

Grupos de Telegram e perfis em redes sociais vendem robôs com “taxa de acerto de 95%” ou pedem que você envie cripto para eles operarem. Robôs de verdade existem, mas não garantem lucro; veja como eles funcionam em o que é trading algorítmico.

6. Deepfakes de famosos e falsos sorteios

Vídeos manipulados por IA mostram empresários, políticos ou influenciadores “dobrando” cripto enviada a um endereço. Não existe sorteio que pede para você enviar dinheiro primeiro.

7. Golpe da recuperação

Depois do primeiro prejuízo, a vítima é procurada por um falso advogado, hacker ou “agência” que promete recuperar o dinheiro mediante pagamento adiantado. É o mesmo golpe, pela segunda vez.

Ilustração sobre roubo de bitcoin Na blockchain não há estorno: cripto enviada a um golpista raramente volta. Crédito: Boletim Bitcoin.

Hackers também atacam empresas

Nem todo prejuízo vem de golpe contra o usuário. Em fevereiro de 2025, a corretora Bybit teve cerca de US$ 1,5 bilhão em criptoativos roubados, e o FBI atribuiu o ataque à Coreia do Norte. Por isso, manter valores grandes em corretora é um risco: a alternativa é a autocustódia, explicada em carteira de criptomoedas.

Sinais de alerta: como identificar um golpe

SinalPor que é suspeito
Rendimento fixo e alto (“1% ao dia”, “10% ao mês”)Nenhum ativo de risco garante retorno; a renda fixa brasileira paga perto da Selic
Bônus por indicar pessoasTípico de pirâmide: o dinheiro vem dos novos entrantes
Pressão e urgência“Últimas vagas” e “só hoje” impedem que você pense
Pedido de seed phrase, senha ou acesso remotoNenhuma empresa séria pede
Saque travado ou condicionado a nova taxaSinal clássico de que o dinheiro já não existe
Empresa sem autorização ou registroPlataformas de cripto precisam pedir autorização ao Banco Central; ofertas de investimento coletivo podem exigir registro na CVM
Contato que começou “por engano” ou por namoroPorta de entrada do golpe de romance

A cartilha do Bora Investir, da B3, soma outros sinais de pirâmide: estratégia que ninguém consegue explicar, foco no recrutamento e atrasos nos pagamentos.

Atenção: se a promessa de ganho é fixa e o risco parece zero, você está diante de um golpe ou de um produto que você não entendeu. Nos dois casos, não invista.

O que dizem os reguladores no Brasil

A CVM age quando uma oferta tem características de valor mobiliário, como “contratos” com rentabilidade prometida. A ferramenta mais conhecida é a stop order, ordem que manda suspender a oferta sob pena de multa diária. Exemplo recente: em abril de 2026, o colegiado da CVM manteve uma stop order emitida em janeiro contra uma plataforma que oferecia contratos com rentabilidade e um suposto modelo de arbitragem cambial, esclarecendo que a ordem não alcança a intermediação de criptoativos fora da competência da autarquia. A decisão é cautelar e não equivale a condenação, segundo o registro do Colegiado.

O Banco Central passou a regular as corretoras de cripto. As que já operavam tinham até 30 de outubro de 2026 para pedir autorização, segundo a Capital Aberto. Antes de depositar, verifique se a plataforma está nesse processo.

Para entender como a CVM orienta o investidor a checar ofertas suspeitas, o vídeo da CVM Educacional usa um exemplo do mercado de forex que vale também para cripto.

Como se proteger: checklist

  1. Desconfie de retorno garantidoCompare qualquer promessa com o CDI; o que paga muito acima disso tem risco alto ou é fraude.
  2. Use corretoras reguladasE acesse sempre pelo app oficial ou por um favorito salvo, nunca por anúncio.
  3. Proteja a contaAtive autenticação em dois fatores por aplicativo, não por SMS, e use senha única.
  4. Guarde a seed offlineNunca a digite em sites, nem a envie a ninguém.
  5. Teste com poucoAntes de enviar valores grandes, faça uma transferência pequena e confira.
  6. Pare e consulte alguémGolpistas pedem segredo e pressa; conversar com outra pessoa quebra o roteiro.

Para comprar com segurança, siga como comprar bitcoin. E lembre que até grandes nomes do setor já perderam fortunas, como mostra a história de Daniel Fraga.

Caí em um golpe. E agora?

  1. Pare de enviar dinheiro, mesmo que peçam “taxa de liberação”.
  2. Junte provas: prints, conversas, comprovantes de Pix, endereços de carteira e hashes das transações.
  3. Avise a corretora de onde o dinheiro saiu e, se souber, a de destino. Algumas conseguem bloquear valores.
  4. Registre boletim de ocorrência e denuncie à Polícia Federal e ao Ministério Público. Se havia oferta de investimento, denuncie também à CVM.
  5. Ignore ofertas de recuperação pagas: é o golpe da recuperação.

Resumo

Os golpes com criptomoedas mudam de roupa, mas repetem a mesma fórmula: promessa de ganho fácil, urgência e um pedido para você enviar dinheiro ou revelar suas chaves. Em 2025, só nos EUA, o FBI contabilizou mais de US$ 11 bilhões em perdas. Rendimento garantido, bônus por indicação e pedido de seed phrase são sinais suficientes para cair fora.

Informações verificadas em 25 de outubro de 2026.

Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

Perguntas frequentes

Como saber se um investimento em cripto é golpe?

Os sinais mais fortes são promessa de rendimento fixo e alto (como 5% ou 10% ao mês), bônus por indicar amigos, pressão para decidir rápido, empresa sem autorização dos reguladores e dificuldade para sacar. Basta um desses sinais para desconfiar.

Caí em golpe com criptomoeda, consigo o dinheiro de volta?

É difícil, porque transações em blockchain não têm estorno. Registre boletim de ocorrência, denuncie à Polícia Federal e à CVM, guarde todos os comprovantes e endereços de carteira e avise a corretora envolvida, que às vezes consegue bloquear valores. Desconfie de quem cobra para recuperar o dinheiro.

Existe robô de trading que garante lucro?

Não. Nenhum robô garante lucro, e promessas de retorno fixo com robôs de arbitragem ou microtransações foram usadas em pirâmides conhecidas no Brasil, como a investigada na Operação Fantasos, da Polícia Federal.

A corretora pode pedir minha seed phrase?

Nunca. Nenhuma empresa legítima pede a seed phrase ou a senha da sua carteira. Quem pede está tentando roubar seus fundos.

Onde denunciar golpe com criptomoedas no Brasil?

Na Polícia Civil (boletim de ocorrência), na Polícia Federal, no Ministério Público e, quando há oferta de investimento sem registro, na CVM. Se envolver plataforma estrangeira com vítimas nos EUA, também é possível registrar no IC3, do FBI.

Referências

  1. FBI IC3: 2025 Internet Crime Report
  2. Bitcoin Magazine: fraudes com cripto passam de US$ 11 bi nos EUA, segundo o FBI (07/04/2026)
  3. FBI IC3: Coreia do Norte é responsável pelo ataque de US$ 1,5 bi à Bybit (26/02/2025)
  4. Decrypt: IA e falsificação de identidade levam golpes cripto a recorde de US$ 17 bi em 2025 (Chainalysis, 14/01/2026)
  5. InfoMoney: PF deflagra operação com FBI contra pirâmide de bitcoin que prometia 11% ao mês (30/04/2025)
  6. InfoMoney: Justiça condena sócios da Braiscompany por esquema de R$ 1 bi (14/02/2024)
  7. CVM: decisão do Colegiado de 01/04/2026 sobre stop order (Reg. 3475/25)
  8. B3 Bora Investir: como se proteger de pirâmides financeiras
  9. Capital Aberto: prazo do BC aperta cerco sobre ativos virtuais (07/10/2026)
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