Para comprar bitcoin no Brasil, o caminho mais comum é: abrir conta numa corretora de criptomoedas (ou no app de um banco que ofereça bitcoin), enviar reais via Pix e fazer a compra. Em poucos minutos o saldo aparece. Também dá para comprar por P2P ou investir indiretamente por um ETF de bitcoin na B3, pelo home broker.
Em resumo: a forma mais simples é corretora ou app de banco com depósito via Pix, a partir de poucos reais. Em 2026, confira se a plataforma pediu autorização ao Banco Central antes de depositar. Comprar não gera imposto, e para guardar por anos o mais seguro é transferir para uma carteira própria.
Abaixo você vê cada opção, o passo a passo, os custos, os cuidados com segurança, o básico do imposto e como tirar suas moedas da corretora.
Antes de comprar: o que mudou em 2026
O Banco Central passou a exigir autorização das empresas que prestam serviços com criptoativos, com regras definidas nas Resoluções BCB 519 e BCB 520, de novembro de 2025. As que já operavam tinham até 30 de outubro de 2026 para protocolar o pedido. A partir de 6 de novembro de 2026, bancos e instituições autorizadas ficam proibidos de viabilizar operações com prestadoras não autorizadas, salvo exceções.
Na prática, várias plataformas deixaram o país ou cortaram serviços. Bitso, Crypto.com, NovaDAX e outras anunciaram saída ou fim das operações em reais em 2026, segundo levantamento do BitNotícias.
Conselho prático: antes de depositar, confira se a plataforma tem pedido de autorização no Banco Central ou já é instituição regulada. Se você usa uma corretora que está saindo do Brasil, retire seus saldos dentro do prazo informado por ela.
As 4 formas de comprar bitcoin no Brasil
| Forma | Você tem o bitcoin de verdade? | Pode sacar para carteira própria? | Custo típico | Indicado para |
|---|---|---|---|---|
| Corretora de cripto | Sim (custodiado pela corretora) | Sim | Taxa de 0,1% a cerca de 0,5% por ordem, mais spread | Quem quer comprar, vender e talvez fazer autocustódia |
| App de banco | Sim (custodiado pelo banco ou parceiro) | Depende do banco | Spread ou taxa fixa (ex.: 2,5% no Itaú, dado de dez/2024) | Quem quer praticidade total |
| P2P | Sim | Sim | Sem taxa de plataforma em muitos casos, mas preço pode ser maior | Usuários mais experientes |
| ETF na B3 | Não, você tem cotas de um fundo | Não | Taxa de administração de 0,30% a 0,75% ao ano, mais corretagem | Quem já investe na bolsa e quer simplicidade |
Opção 1: comprar bitcoin em corretora com Pix
É a forma mais usada. As corretoras de criptomoedas (também chamadas de exchanges) oferecem mais moedas, taxas menores e a opção de sacar para a sua própria carteira.
Passo a passo
- Escolha a corretora. Prefira empresas com estrutura no Brasil e pedido de autorização no Banco Central. Compare taxas, spread e reputação. Se está em dúvida entre as duas maiores globais, veja nosso comparativo Bybit vs Binance. Outros guias para iniciantes estão na seção Aprenda.
- Crie a conta pelo site ou app oficial. Digite o endereço manualmente. Golpistas criam sites clonados e anúncios falsos.
- Faça a verificação de identidade (KYC). Você envia documento com foto (RG ou CNH), selfie e, às vezes, comprovante de endereço. É exigência legal.
- Ative a autenticação em dois fatores (2FA). Use um app autenticador em vez de SMS, que é mais vulnerável.
- Deposite reais via Pix. O Pix deve sair de uma conta no seu próprio CPF. Depósitos de terceiros costumam ser recusados ou retidos.
- Compre o bitcoin. Use a “compra rápida” (mais simples, mas com spread embutido) ou o mercado spot com ordem a mercado ou limitada (geralmente mais barato).
- Confira o saldo e decida se vai deixar na corretora ou sacar para uma carteira própria.
Quem prefere acompanhar o processo na tela pode assistir a este tutorial atualizado para 2026, que mostra cadastro, depósito e compra numa corretora:
Quanto custa
Nas grandes corretoras globais, a taxa padrão de negociação no spot é de 0,1% por ordem, segundo as tabelas oficiais da Binance e da Bybit consultadas em 25 de outubro de 2026. Corretoras nacionais têm tabelas próprias, que costumam ser maiores para pequenos investidores.
Fique atento a custos menos visíveis:
- Spread na compra rápida: diferença entre o preço que você paga e a cotação de referência.
- Taxa de saque em reais (algumas cobram por Pix de saída).
- Taxa de rede ao enviar bitcoin para fora da corretora.
Opção 2: comprar bitcoin pelo app do banco
Vários bancos e fintechs oferecem bitcoin direto no aplicativo, usando o saldo da conta.
Área Pix de um app bancário: é daqui que sai o depósito para a corretora, sempre de uma conta no seu CPF. Crédito: Nubank, domínio público, via Wikimedia Commons.
Exemplos:
- Nubank: oferece cripto desde 2022, com compras a partir de R$ 1. Em abril de 2024, liberou envio e recebimento de BTC, ETH e SOL para carteiras externas, de forma gradual.
- Itaú: liberou bitcoin e ethereum para todos os clientes em dezembro de 2024, com taxa de 2,5% na compra e sem tarifa adicional na venda, segundo reportagem da época.
Vantagens: não precisa abrir outra conta nem fazer Pix. Desvantagens: custo costuma ser maior que o das corretoras, há poucas moedas disponíveis e nem todos permitem sacar para carteira própria. Confira as condições atuais no app do seu banco, porque elas mudam.
Opção 3: comprar bitcoin no P2P
No P2P (peer-to-peer), você compra bitcoin direto de outra pessoa, e a plataforma segura as moedas até o pagamento ser confirmado. O pagamento costuma ser feito por Pix. Há também serviços que vendem bitcoin via Pix sem cadastro, como o analisado em nosso guia do Alfred P2P.
Interface de um serviço de compra de bitcoin via Pix: você informa o valor em reais e recebe o equivalente em BTC. Crédito: Imagem: Boletim Bitcoin.
Cuidados obrigatórios no P2P
- Negocie só pela plataforma, nunca por WhatsApp ou Telegram.
- Pague exatamente para o nome indicado na ordem.
- Só marque “pago” depois de fazer o Pix de verdade.
- Prefira vendedores com muitas negociações concluídas e boa avaliação.
- Desconfie de preço muito abaixo da cotação: pode ser golpe ou dinheiro de origem ilícita.
O P2P é útil, mas exige mais atenção. Para iniciantes, a corretora tradicional costuma ser mais simples.
Para ver os caminhos de compra fora das corretoras, com os cuidados de cada um, o canal Discípulo de Satoshi tem um passo a passo completo:
Opção 4: ETF de bitcoin na B3
Se você já tem conta numa corretora de valores, pode comprar cotas de ETF de bitcoin pelo home broker, como se fossem ações. O fundo compra e guarda o bitcoin, e a cota acompanha o preço.
Exemplos negociados na B3, segundo levantamento de janeiro de 2026 (a lista completa fica na página de ETFs listados da B3):
| ETF | Gestora | Exposição | Taxa de administração |
|---|---|---|---|
| BITH11 | Hashdex | Bitcoin | 0,70% ao ano |
| QBTC11 | QR Asset | Bitcoin | 0,75% ao ano |
| BITI11 | Itaú | Bitcoin | 0,70% ao ano |
| HASH11 | Hashdex | Cesta de criptos (maior peso em bitcoin) | 0,30% ao ano |
Prós: regulado pela CVM, sem se preocupar com chaves e carteiras, imposto no mesmo modelo das ações. Contras: taxa anual, negociação só no horário da bolsa, você não pode sacar o bitcoin e não há a isenção mensal de R$ 35 mil das criptomoedas (o ganho com ETF é tributado em 15%).
Segurança: 7 regras para não perder dinheiro
- Use só sites e apps oficiais. Salve o endereço nos favoritos.
- Ative o 2FA por aplicativo autenticador.
- Nunca compartilhe senha, código 2FA ou seed phrase. Suporte de verdade não pede.
- Desconfie de promessas de rendimento garantido. Pirâmides e “robôs de trading” milagrosos são golpes clássicos.
- Comece com um valor pequeno para testar depósito, compra e saque.
- Confira o endereço ao enviar bitcoin. Transações não podem ser desfeitas.
- Não deixe tudo na corretora se o objetivo é guardar por anos.
Como tirar o bitcoin da corretora
Manter o bitcoin numa carteira própria elimina o risco de a corretora quebrar, ser hackeada ou bloquear sua conta.
- Escolha a carteira. Para valores menores, uma carteira de celular confiável (o bitcoin.org lista opções por sistema). Para valores maiores, uma hardware wallet.
- Anote a seed phrase (12 ou 24 palavras) em papel ou metal. Nunca em foto ou nuvem.
- Copie o endereço de recebimento da sua carteira. Na hardware wallet, confira o endereço na tela do aparelho.
- Na corretora, vá em “Sacar” ou “Enviar”, escolha bitcoin e a rede Bitcoin (BTC). Enviar pela rede errada pode causar perda.
- Faça um envio de teste com valor pequeno.
- Confirme a chegada na carteira e então envie o restante.
Saque real de uma corretora para uma hardware wallet: o endereço de destino deve ser conferido na tela do aparelho. Crédito: FlippyFlink, licença CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
A taxa de saque varia com o congestionamento da rede. Por isso, juntar compras pequenas e sacar de uma vez costuma sair mais barato.
Impostos em linhas gerais
- Comprar não gera imposto. O imposto incide sobre o lucro na venda (ou na troca por outra cripto).
- Isenção mensal: se o total vendido em criptoativos no mês for de até R$ 35 mil, o ganho é isento, segundo a Receita Federal. Acima disso, o ganho é tributado com alíquotas que começam em 15%, pagas por DARF até o último dia útil do mês seguinte.
- Plataformas no exterior: ganhos em contas fora do Brasil seguem a Lei 14.754/2023, com tributação anual de 15% e sem a isenção mensal.
- Declaração anual: bitcoin deve ser informado em “Bens e Direitos” no IR, pelo custo de compra, conforme o manual da Receita Federal.
- Fiscalização: desde julho de 2026, as corretoras reportam operações à Receita pela DeCripto.
Regras tributárias mudam e cada caso tem detalhes. O passo a passo completo está no guia de imposto de renda sobre criptomoedas. Para valores altos, consulte um contador.
Comprar tudo de uma vez ou aos poucos?
Muitos investidores preferem compras recorrentes de um valor fixo (por exemplo, todo mês). Assim, você compra mais satoshis quando o preço cai e menos quando sobe, sem tentar adivinhar o melhor momento.
Para entender como pensar em frações, veja o que são satoshis. Se ainda está começando, leia antes o que é bitcoin e acompanhe o preço do bitcoin e o dólar hoje, que também influencia a cotação em reais.
Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.
Perguntas frequentes
Qual o jeito mais fácil de comprar bitcoin no Brasil?
Abrir conta numa corretora de criptomoedas ou usar o app de um banco que ofereça bitcoin, depositar reais via Pix e comprar a quantia desejada. Em poucos minutos o saldo aparece na conta.
Quanto preciso para comprar bitcoin?
Pouco. O bitcoin é divisível em 100 milhões de satoshis, e muitas plataformas aceitam compras a partir de R$ 1 a R$ 10.
Posso comprar bitcoin com Pix?
Sim. A maioria das corretoras com operação no Brasil aceita depósito em reais via Pix, com o dinheiro vindo de conta no seu próprio CPF. Depois do depósito, você compra o bitcoin dentro da plataforma.
Preciso pagar imposto ao comprar bitcoin?
Comprar não gera imposto. O Imposto de Renda incide sobre o lucro na venda. Vendas de até R$ 35 mil por mês em plataformas nacionais são isentas; acima disso, o ganho é tributado. Bitcoin também deve ser declarado no IR anual.
É seguro deixar bitcoin na corretora?
Há risco de hack, falência ou bloqueio. Para valores pequenos e uso frequente, muita gente deixa na corretora. Para guardar no longo prazo, o mais seguro é transferir para uma carteira própria.
Referências
- Capital Aberto: Prazo do BC aperta cerco sobre ativos virtuais (out/2026)
- BitNotícias: Licença cripto do Banco Central, quem pediu e quem está saindo (10/10/2026)
- Finsiders: regras para ativos virtuais geram consolidação no segmento
- Acionista: Itaú libera compra de bitcoin e ethereum a todos os clientes (dez/2024)
- Tecnoblog: Nubank permite negociar criptomoedas a partir de R$ 1
- Acionista: Nubank libera saques e depósitos de BTC, ETH e SOL (abr/2024)
- brapi: ETFs de criptomoedas na B3 (jan/2026)
- IstoÉ Dinheiro: Receita diz que ganhos até R$ 35 mil estão isentos no IR
- Fabio Pesavento: Binance Brasil 2026, novas regras e tributação
- Binance: tabela de taxas spot
- Bybit: estrutura de taxas de negociação
- AVNews: Binance corta 8 serviços e 22 criptos no Brasil a partir de 27 de outubro
- Banco Central: Resolução BCB 519/2025 (processos de autorização)
- Banco Central: Resolução BCB 520/2025 (prestadoras de serviços de ativos virtuais)
- Banco Central: página oficial do Pix
- B3: ETFs listados
- Hashdex: página do BITH11
- Bitcoin.org: escolha sua carteira
- Receita Federal: Meu Imposto de Renda, Bens financeiros (criptoativos)
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