Barry Silbert, fundador da Digital Currency Group (DCG), descreveu em 2014 cinco fases pelas quais o bitcoin passaria até virar algo de uso comum: invenção, adotantes iniciais, capital de risco, Wall Street e adoção em massa pelo consumidor. Doze anos depois, as três primeiras ficaram para trás e a quarta está a todo vapor com os ETFs. A quinta, a do bitcoin no dia a dia de qualquer pessoa, ainda não chegou.
Em resumo: Em 2014, Barry Silbert previu que o bitcoin passaria por cinco fases até a adoção em massa. A ordem se confirmou, mas o calendário atrasou: Wall Street só entrou de vez com os ETFs à vista aprovados em janeiro de 2024. Em outubro de 2026, o bitcoin está na quarta fase, com governos entrando em cena e o uso cotidiano pelo consumidor ainda em aberto.
A seguir, quem é Silbert, o que ele previu, o que acertou e onde o mercado está em outubro de 2026.
Quem é Barry Silbert?
Barry Silbert nasceu em 1976, em Gaithersburg, no estado americano de Maryland, e se formou em administração pela Universidade Emory. Antes do bitcoin, fundou em 2004 a SecondMarket, uma plataforma para negociar ações de empresas de tecnologia antes da abertura de capital. A Nasdaq comprou a empresa em 2015.
Ele começou a comprar bitcoin em 2012, quando a moeda valia poucos dólares. A partir daí, montou algumas das estruturas mais conhecidas do setor, hoje reunidas sob a Digital Currency Group:
| Empresa | O que é | Situação |
|---|---|---|
| Grayscale (2013) | Gestora de fundos cripto, criadora do GBTC | Convertido em ETF em janeiro de 2024 |
| Genesis (2013) | Plataforma de empréstimo e negociação | Faliu em janeiro de 2023 |
| DCG (2015) | Holding que reúne os negócios | Ativa, com Silbert como CEO |
| CoinDesk (comprada em 2016) | Site de notícias cripto | Vendida à Bullish em 2023 |
| Foundry (2019) | Serviços de mineração de bitcoin | Ativa |
| Yuma (2024) | Empresa de IA descentralizada | Ativa |
Para conhecer a trajetória dele contada em primeira pessoa, a entrevista com o investidor Raoul Pal (em inglês) cobre a saída do banco de investimento, a SecondMarket e as primeiras compras de bitcoin:
A crise da Genesis
A trajetória também tem um capítulo pesado. Após o calote da Three Arrows Capital em 2022, a Genesis acumulou perdas de mais de US$ 1,1 bilhão, travou saques e pediu recuperação judicial em janeiro de 2023. A procuradoria-geral de Nova York processou a Genesis, a DCG e Silbert pessoalmente em outubro de 2023, alegando ocultação da insolvência. A DCG e Silbert negam irregularidades, e o caso seguia na Justiça em 2026, segundo registros públicos.
Tudo em um só appSpot, futuros, copy trading e robôs. Cadastro gratuito em poucos minutos.Criar contaQuais são as 5 fases de adoção do bitcoin?
Silbert apresentou a ideia em abril de 2014, em um debate em Nova York e em um evento da MarketWatch, e voltou a ela em entrevistas no fim daquele ano. Ele se inspirou nas revoluções do computador pessoal e da internet, que também passaram de nicho para massa em etapas. As datas variavam um pouco entre as versões, mas a estrutura era esta:
Fase 1: invenção e experimentação (2009 a 2010)
O código do bitcoin é publicado e só programadores, criptógrafos e curiosos mexem com ele. A moeda praticamente não tinha preço e servia mais como prova de conceito do que como investimento. Foi nessa época que o próprio criador minerou os blocos que formam a fortuna atribuída a Satoshi Nakamoto, e escreveu boa parte das frases de Satoshi que a comunidade cita até hoje.
Fase 2: adotantes iniciais (2011 a 2012)
Investidores-anjo e entusiastas entram. Surgem as primeiras corretoras, carteiras e processadores de pagamento. O preço sai de quase zero e chega à casa das dezenas de dólares, com uma forte queda em 2011.
Fase 3: capital de risco (2013 a 2014)
Fundos de venture capital do Vale do Silício começam a financiar empresas de infraestrutura cripto. Segundo os números citados por Silbert, esses fundos colocaram mais de US$ 90 milhões em empresas de bitcoin em 2013 e mais de US$ 300 milhões em 2014.
Fase 4: Wall Street
Bancos, corretoras e grandes gestoras passam a negociar, custodiar e criar produtos de investimento em bitcoin. Silbert esperava isso já para 2014 ou 2015. Em entrevista à Fortune, em abril de 2014, ele já dizia que os bancos não podiam mais ignorar o bitcoin.
Wall Street, símbolo do mercado financeiro americano: a quarta fase de Silbert. Crédito: Foto: Alex Proimos, licença CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
Fase 5: adoção em massa pelo consumidor
O bitcoin vira algo que pessoas comuns compram, guardam e gastam sem esforço. Silbert listou condições: comprar e usar precisaria ficar fácil, o volume teria de crescer a ponto de grandes lojas aceitarem a moeda, e o conhecimento do público teria de aumentar.
O que Silbert acertou e o que errou
A ordem das fases se mostrou bem precisa. O calendário, nem tanto.
- Acerto: experimentação, adotantes e capital de risco aconteceram mais ou menos como ele descreveu.
- Erro de prazo: a fase de Wall Street demorou quase uma década para valer de verdade. Os reguladores americanos só aprovaram ETFs de bitcoin à vista em janeiro de 2024.
- Ponto em aberto: a adoção pelo consumidor, que ele via começando em 2015, ainda não se concretizou como meio de pagamento cotidiano.
O próprio Silbert dizia, na época, que o futuro do bitcoin era “binário”: ou daria muito certo ou não daria em nada.
Em que fase de adoção o bitcoin está em 2026?
A resposta curta: dentro da fase 4, com sinais iniciais de uma etapa que Silbert não previu, a dos governos.
ETFs: Wall Street chegou
Em 10 de janeiro de 2024, a SEC aprovou de uma vez 11 ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos, incluindo produtos da BlackRock, da Fidelity e a conversão do GBTC da Grayscale. A decisão foi comunicada em declaração oficial do então presidente da SEC, Gary Gensler. Em julho de 2025, esses fundos somavam cerca de US$ 158 bilhões em patrimônio, segundo a The Block.
Sede da SEC em Washington: a aprovação dos ETFs à vista em janeiro de 2024 marcou a entrada definitiva de Wall Street. Crédito: Foto: AgnosticPreachersKid, licença CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
Se você quer entender como esses fundos funcionam e se fazem sentido para o investidor brasileiro, a explicação do InfoMoney é um bom ponto de partida:
Em 7 de outubro de 2026, só o IBIT, da BlackRock, tinha cerca de US$ 68,7 bilhões, de acordo com levantamento publicado pela CoinCentral. O Brasil se antecipou: a CVM aprovou o QBTC11, da QR Asset, em março de 2021, o primeiro ETF de bitcoin da América Latina.
Empresas com bitcoin em caixa
Outra marca da fase institucional são empresas guardando bitcoin no balanço. Em maio de 2026, segundo relatório da Bitwise, 174 companhias abertas somavam cerca de 1,19 milhão de BTC. A maior delas, a Strategy (antiga MicroStrategy), tinha sozinha 818.869 BTC, perto de 69% desse total.
Países: uma fase além do roteiro
Silbert não falou de governos, mas eles entraram no jogo:
- El Salvador tornou o bitcoin moeda de curso legal em 7 de setembro de 2021, com a Lei Bitcoin. Em janeiro de 2025, como parte de um acordo com o FMI, o país aprovou mudanças que esvaziaram essa obrigatoriedade.
- Estados Unidos: em 6 de março de 2025, o presidente Donald Trump assinou a Ordem Executiva 14233, que criou a Reserva Estratégica de Bitcoin com moedas apreendidas pelo governo e proibiu sua venda.
E o consumidor?
Aqui o quadro é misto. Ficou muito mais fácil comprar e guardar bitcoin, por aplicativos, corretoras e ETFs. Mas a maior parte das pessoas usa o ativo como reserva de valor ou investimento, não para pagar o café. Nesse sentido, a quinta fase de Silbert segue em aberto, ou pode estar acontecendo de um jeito diferente do que ele imaginou, como “ouro digital” em vez de dinheiro do dia a dia. A comparação com o metal é tema do nosso artigo ouro ou bitcoin, e o argumento da escassez aparece também no modelo stock to flow.
Caixa eletrônico de bitcoin em Viena, na Áustria: comprar ficou mais fácil, mas pagar com BTC no dia a dia ainda é raro. Crédito: Foto: Elph, licença CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Resumo das fases e do status atual
| Fase | Previsão de Silbert | Status em outubro de 2026 |
|---|---|---|
| 1. Invenção | 2009 | Concluída |
| 2. Adotantes iniciais | 2011 a 2012 | Concluída |
| 3. Capital de risco | 2013 a 2014 | Concluída |
| 4. Wall Street | 2014 a 2015 | Em andamento (ETFs desde 2024) |
| 5. Consumidor em massa | a partir de 2015 | Parcial, sem uso amplo em pagamentos |
O que isso significa para quem investe
Modelos de fases ajudam a entender o caminho, mas não dizem quando o preço vai subir ou cair. Mesmo com ETFs e reservas governamentais, o bitcoin teve recorde de US$ 126.210 em outubro de 2025 e depois recuou com força, mostrando que a volatilidade continua.
Se você está começando, leia o que é bitcoin, veja como comprar bitcoin com segurança e acompanhe a cotação do bitcoin ao vivo. Para guardar por conta própria, conheça a hardware wallet.
Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.
Perguntas frequentes
Quem é Barry Silbert?
Barry Silbert é um empresário americano, nascido em 1976, fundador da SecondMarket e da Digital Currency Group (DCG), holding dona da gestora Grayscale. Começou a comprar bitcoin em 2012 e é um dos investidores mais antigos do setor.
Quais são as 5 fases de adoção do bitcoin segundo Barry Silbert?
Invenção e experimentação, adotantes iniciais, capital de risco, entrada de Wall Street e adoção em massa pelo consumidor. Ele apresentou a ideia em debates e entrevistas em 2014.
Em que fase de adoção o bitcoin está hoje?
A fase de Wall Street está claramente em andamento desde a aprovação dos ETFs à vista nos EUA, em janeiro de 2024. A quinta fase, de uso cotidiano pelo consumidor, ainda não aconteceu de forma ampla.
O que é a DCG de Barry Silbert?
A Digital Currency Group é uma holding fundada em 2015 que investe em empresas de cripto. Já controlou a Grayscale, a Genesis (que faliu em 2023), a CoinDesk (vendida em 2023) e a mineradora Foundry.
Referências
- Fortune: Barry Silbert diz que bancos não podem mais ignorar o bitcoin (abril de 2014)
- Cointelegraph: Silbert e as fases do bitcoin em evento da MarketWatch (abril de 2014)
- Coinspeaker: The 5 Phases of Bitcoin Adoption by Investor Barry Silbert (dezembro de 2014)
- Wikipedia: Barry Silbert
- Wikipedia: Digital Currency Group
- The Block: SEC aprova 11 ETFs de bitcoin à vista (janeiro de 2024)
- The Block: ETFs de bitcoin à vista chegam a US$ 158 bilhões (julho de 2025)
- edgeX/CoinCentral: mercado de ETFs cripto em outubro de 2026
- SpazioCrypto: 174 empresas com 1,18 milhão de BTC (dados Bitwise, maio de 2026)
- American Presidency Project: Ordem Executiva 14233 (Reserva Estratégica de Bitcoin)
- Wikipedia: Bitcoin Law (El Salvador)
- KuCoin News: recorde de US$ 126.210 do bitcoin completa um ano
- Forbes Brasil: QR Asset recebe aval da CVM para o primeiro ETF de bitcoin da B3
- SEC: declaração de Gary Gensler sobre a aprovação dos ETPs de bitcoin à vista (10/01/2024)
- Digital Currency Group: site oficial
- YouTube: How a Former Investment Banker Became a Bitcoin Pioneer (Raoul Pal ft Barry Silbert)
- YouTube: ETF de Bitcoin: vale a pena investir no novo fundo da Bolsa Americana? (InfoMoney)
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