Os ciclos do bitcoin são o padrão de alta forte, topo, queda profunda e recuperação que se repetiu a cada cerca de quatro anos desde 2012, quase sempre em sintonia com o halving. Nos três primeiros ciclos, o bitcoin fez topo entre 12 e 18 meses depois do halving e caiu de 75% a 85% no ano seguinte. O ciclo atual repetiu o calendário, com topo em outubro de 2025, mas com alta e queda menores, o que alimenta o debate sobre o fim do ciclo de quatro anos.
Em resumo: halvings em 2012, 2016, 2020 e 2024 cortaram pela metade a emissão de novos bitcoins. Os topos vieram 366, 526, 545 e 534 dias depois. A valorização do halving ao topo caiu de cerca de 100 vezes no primeiro ciclo para cerca de 2 vezes no último. Em 2026, o bitcoin caiu cerca de 54% do topo até a mínima de junho. O padrão existe, mas não é lei, e cada ciclo pesa menos que o anterior.
O que move os ciclos do bitcoin?
O motor mais citado é o halving. A cada 210 mil blocos, cerca de quatro anos, a recompensa paga aos mineradores cai pela metade, regra prevista no protocolo descrito no whitepaper. Com menos bitcoins novos chegando ao mercado, a pressão de venda dos mineradores diminui. Veja a contagem regressiva para o próximo em /halving-bitcoin/.
Mas o halving sozinho não explica tudo. Os ciclos também são movidos por:
- Psicologia: a alta atrai novos compradores, que atraem mais compradores, até a euforia. Depois, o medo faz o caminho inverso. Acompanhe isso no índice de medo e ganância.
- Liquidez global: juros baixos e dinheiro farto favorecem ativos de risco. Entenda em /fed-e-juros-americanos/.
- Alavancagem: excesso de posições alavancadas amplifica topos e fundos.
- Eventos do setor: quebras como a da FTX, em novembro de 2022, aceleraram o fundo daquele ciclo.
Halvings, topos e fundos: os números
Os quatro ciclos do bitcoin
| Halving | Preço no dia | Topo seguinte | Dias até o topo | Do halving ao topo | Fundo seguinte | Queda do topo ao fundo |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 28/11/2012 | cerca de US$ 12 | US$ 1.242 (29/11/2013) | 366 | cerca de 100x | US$ 172 (jan/2015) | cerca de -85% |
| 09/07/2016 | cerca de US$ 650 | US$ 19.783 (17/12/2017) | 526 | cerca de 30x | cerca de US$ 3.100 a 3.300 (dez/2018) | cerca de -84% |
| 11/05/2020 | cerca de US$ 8.600 | cerca de US$ 67.500 (nov/2021, fechamento) | 545 | cerca de 8x | cerca de US$ 16.200 (nov/2022) | cerca de -76% |
| 20/04/2024 | cerca de US$ 64.000 | cerca de US$ 126.000 (06/10/2025) | 534 | cerca de 2x | cerca de US$ 58.500 (30/06/2026, fechamento) | cerca de -54% até agora |
Fontes dos topos e fundos: Wikipedia, History of bitcoin e Wikipedia, Cryptocurrency bubble para os ciclos até 2022; para 2025 e 2026, o topo de US$ 126.080 citado pela CryptoTicker e a mínima de fechamento do levantamento da SimianX, também usada no nosso comparativo ouro ou bitcoin. Os preços nos dias dos halvings são aproximados. Valores de pico variam conforme a fonte usar preço de fechamento ou intradiário.
Valorização do halving até o topo, por ciclo
As contas: 1.242 / 12 = 103; 19.783 / 650 = 30; 67.500 / 8.600 = 7,8; 126.000 / 64.000 = 2,0. O retorno de cada ciclo foi uma fração do anterior. Isso faz sentido: o valor de mercado ficou muito maior, e a emissão nova representa uma parte cada vez menor da oferta. Mais de 95% dos 21 milhões de bitcoins já foram emitidos.
O halving corta pela metade a receita dos mineradores, que vendem menos bitcoins novos no mercado. Crédito: Boletim Bitcoin.
As quatro fases de um ciclo típico
- AcumulaçãoDepois do fundo, preço anda de lado. Pouca atenção da mídia, investidores de longo prazo compram.
- Alta (bull market)Perto e depois do halving, o preço rompe máximas anteriores e atrai novos compradores.
- Euforia e topoCerca de 12 a 18 meses após o halving, alavancagem e otimismo atingem o extremo.
- Queda (bear market)No ano seguinte, quedas de 50% a 85%, quebras de empresas e desânimo geral.
O modelo que tenta transformar a escassez do halving em previsão de preço é o stock to flow, que é alvo de muitas críticas e não deve ser usado como previsão.
O ciclo de 2024 a 2026: o que foi diferente?
O calendário se repetiu quase à risca. O halving foi em 20 de abril de 2024 e o topo, cerca de 534 dias depois, em outubro de 2025. Em 2026 veio a queda: em fevereiro, o preço já estava abaixo dos níveis de 2024, e o New York Times descreveu o momento como uma das piores crises do setor desde 2022, segundo a Wikipedia. A mínima de fechamento do ano até aqui foi de cerca de US$ 58,5 mil, em 30 de junho.
Mas três coisas mudaram:
- A alta foi bem menor. Cerca de 2 vezes do halving ao topo, contra 8 vezes no ciclo anterior. Analistas que esperavam US$ 200 mil ficaram longe.
- Novos compradores. Desde janeiro de 2024, ETFs à vista nos Estados Unidos passaram a comprar e vender bitcoin em grande volume. Veja como funcionam em /etf-de-bitcoin/. Empresas de capital aberto somavam cerca de 1,29 milhão de BTC em outubro de 2026, segundo a BitcoinTreasuries.net; detalhes em /empresas-que-tem-bitcoin/.
- Fluxos institucionais nos dois sentidos. Em 22 de outubro de 2026, os ETFs de bitcoin tiveram saída líquida de US$ 635,5 milhões num único dia, segundo a CryptoTicker.
Para uma visão crítica sobre se o ciclo de quatro anos ainda vale, o canal Area Bitcoin discute os argumentos e como se preparar.
O ciclo de quatro anos acabou?
Argumentos de que o ciclo continua
- Topo de 2025 veio no mesmo intervalo dos anteriores
- 2026 trouxe a queda típica do ano pós-topo
- Psicologia de mercado se repete
- Muitos investidores agem esperando o ciclo
Argumentos de que o ciclo enfraqueceu
- Impacto do halving na oferta é cada vez menor
- ETFs e empresas mudam o perfil da demanda
- Juros globais pesam mais que a emissão
- Alta e queda deste ciclo foram mais suaves
Uma leitura equilibrada: o ciclo ainda aparece nos dados, mas cada vez mais achatado. A queda menos profunda em 2026, até agora, é coerente com um ativo mais maduro, mas ninguém sabe se o fundo já passou.
Como usar os ciclos na prática
Entender os ciclos ajuda a não comprar só na euforia e a não vender só no pânico. Crédito: Boletim Bitcoin.
- Não aposte tudo em datas. O calendário do halving dá contexto, não um gatilho de compra ou venda.
- Considere o DCA. Comprar valores fixos todo mês dilui o risco de entrar no topo. Simule na calculadora de DCA de bitcoin.
- Prepare-se para quedas de 50% ou mais. Elas aconteceram em todos os ciclos.
- Cuidado com alavancagem perto de topos. É quando as liquidações em cascata fazem mais estrago.
O próximo halving está previsto para 2028, no bloco 1.050.000. Acompanhe o preço ao vivo em /preco-bitcoin/ e o efeito do halving sobre os mineradores em /mineracao-de-bitcoin/.
Dados verificados em 25 de outubro de 2026. Retornos passados não garantem resultados futuros.
Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.
Perguntas frequentes
O que é o ciclo de 4 anos do bitcoin?
É o padrão histórico em que o bitcoin faz um topo cerca de 12 a 18 meses depois de cada halving, cai de 75% a 85% no ano seguinte e volta a subir perto do halving seguinte. O halving acontece a cada 210 mil blocos, cerca de quatro anos.
Quanto tempo depois do halving o bitcoin fez topo?
Cerca de 366 dias depois do halving de 2012, 526 dias depois do de 2016, 545 dias depois do de 2020 e 534 dias depois do de 2024, considerando o topo de outubro de 2025.
O ciclo do bitcoin acabou?
Não há consenso. O ciclo de 2024 a 2026 repetiu o calendário (topo cerca de 18 meses após o halving e queda em 2026), mas com alta bem menor e queda menos profunda até agora. ETFs, empresas e juros globais pesam cada vez mais que o halving.
Quando é o próximo halving do bitcoin?
O próximo halving acontece no bloco 1.050.000 e é estimado para 2028. A contagem regressiva atualizada fica na página de halving do Boletim Bitcoin.
Referências
- Satoshi Nakamoto: Bitcoin, A Peer-to-Peer Electronic Cash System (whitepaper)
- Wikipedia: History of bitcoin
- Wikipedia: Cryptocurrency bubble
- CryptoTicker: bitcoin a US$ 81.568 e fluxo dos ETFs (23/10/2026)
- SimianX: retornos anuais do bitcoin, 2011 a 2026
- BitcoinTreasuries.net: bitcoin em empresas de capital aberto (25/10/2026)
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