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Países subdesenvolvidos receberão acesso ao Bitcoin sem conexão direta com a internet

O Projeto Machankura irá permitir que indivíduos acessem a rede Bitcoin (BTC) por meio de telefones celulares antigos, sem acesso à internet. Este projeto tem o potencial de facilitar muito a usabilidade do bitcoin em países subdesenvolvidos. 

O Bitcoin está virtualmente disponível para praticamente todos os seres humanos. Para se conectar a rede, é necessário somente algum dispositivo eletrônico, como um smartphone ou computador pessoal, e uma conexão com a internet. 

Mais de 60% da população mundial usa a Internet diariamente, o que são mais de 5 bilhões de pessoas. No entanto, podemos observar uma grande diferença do alcance da Internet ao redor do globo. Veja o mapa abaixo:

internet-world
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Quanto mais escura está a cor, maior a porcentagem da população que possui Internet. Se destacam os Emirados Árabes Unidos com 100% de cobertura, Bahrein e Catar com 99,6% e Liechtenstein com 99,5%. Se olharmos as nações do G7, verá o Canadá liderando com 96,97%, seguido pelo Reino Unido com 94,82% e pelos Estados Unidos com 90,90%.

Em países como esse, praticamente qualquer um pode usar o Bitcoin. 

Já o mesmo não pode ser dito de várias nações da África, em que a taxa de penetração da Internet é de pouco mais de 30%, assim como na Ásia Meridional, não muito acima de 38,56%  Como consequência deste cenário, centenas de milhões de pessoas não podem usar Bitcoin.

Nesse contexto, o Projeto Machankura nasce com o objetivo de tornar o Bitcoin acessível com um simples celular sem conexão com a internet. O projeto reúne indivíduos que entendem que o acesso ao Bitcoin é indispensável para o futuro e progresso da humanidade.

O mecanismo possibilita que se envie e receba Bitcoin offline e sem precisar de um smartphone. Transações de baixo custo e até mesmo microtransações já são permitidas através da Lightning Network, o que só era possível online. Pelo menos até agora.  Um simples telefone celular com GSM é o suficiente. GSM (Global System for Mobile no inglês) é o Sistema Global para Comunicações Móveis, surgido na década de 80. 

Em países como Gana, Quênia, Namíbia, Nigéria, África do Sul, Malawi, Tanzânia e Uganda o serviço já está disponível.

A tecnologia é baseada no USSD (Dados de Serviço Suplementar Não Estruturados), que existe há muitos anos, como quando digitávamos #123# para verificarmos quanto crédito tínhamos no celular. Talvez você não seja dessa época, mas isso é um código USSD, um código que ao digitá-lo executa uma tarefa específica no telefone. 

Confira alguns códigos do serviço nos seus respectivos países:

ussd-codes
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É importante lembrar que não é necessário possuir um smartphone para utilizar esse recurso, você pode fazer isso usando um celular antigo. 

Uso potencial

Imagine que uma pessoa deixou seu país para trabalhar na Europa na esperança de conseguir uma renda melhor para sua família. Aqueles que ficaram no país de origem não possuem conexão à Internet e precisarão se locomover por quilômetros para chegar no caixa eletrônico mais próximo e serão prejudicados pelas altas taxas das remessas internacionais. O Projeto Machankura resolve isso.

send-bitcoin-ussd
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O remetente pode enviar satoshis para um número de telefone escolhido. Ainda não há conteúdos educacionais para facilitar o uso dessa tecnologia, mas sem dúvidas é disruptiva. Infelizmente, esta solução ainda não possui nenhum conteúdo educacional real para facilitar o uso, mas não há dúvida de que traz real valor agregado para pessoas para quem o Bitcoin já é uma necessidade básica de sobrevivência. 

Você pode nunca precisar usar o Projeto Machankura, mas sem dúvida não há como não ficar animado ao ver adoção do Bitcoin ultrapassando as barreiras da própria Internet.

Igor Sobrinho

Calvinista, capixaba, amante de artes, de comunicação e da computação. Cypherpunk e bitcoinheiro, passeio com meu cachorro nas horas vagas, amo minha esposa.

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