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Hal Finney sorri em cadeira de rodas ao lado da esposa, Fran, que veste camiseta amarela de campanha contra a ELA
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Hal Finney: vida, fortuna e criopreservação do pioneiro do bitcoin

Hal Finney recebeu a primeira transação de bitcoin, enfrentou a ELA e foi criopreservado na Alcor. Veja sua história, sua fortuna e a teoria sobre Satoshi.

Imagem: Boletim Bitcoin

Por Redação Boletim Bitcoin

. Leitura de 7 min.

Hal Finney foi o programador americano que recebeu a primeira transação de bitcoin da história, enviada por Satoshi Nakamoto em janeiro de 2009. Diagnosticado com ELA no mesmo ano, morreu em 2014 e teve o corpo criopreservado, na esperança de ser reanimado no futuro. A quantidade exata de bitcoins que ele teve nunca foi revelada.

Em resumo: Hal Finney (1956-2014) foi um criptógrafo americano, veterano do PGP e dos cypherpunks, e a primeira pessoa depois de Satoshi a rodar o bitcoin. Recebeu 10 BTC em 12 de janeiro de 2009, foi diagnosticado com ELA no mesmo ano e, ao morrer, foi criopreservado pela Alcor. Nunca divulgou quantos bitcoins teve, e as evidências pesam contra a teoria de que ele seria Satoshi.

Quem foi Hal Finney

Hal Finney nasceu em 4 de maio de 1956, em Coalinga, na Califórnia, segundo a Wikipedia. Formou-se em engenharia elétrica pelo Caltech em 1979, onde conheceu a futura esposa, Fran.

Foto em preto e branco de 1972 mostra o jovem Hal Finney resolvendo contas em uma folha de papel Hal Finney adolescente, fazendo contas em 1972, anos antes de entrar no Caltech. Crédito: Daily News-Post (foto de arquivo), domínio público, via Wikimedia Commons

O primeiro emprego foi na indústria de videogames, programando jogos para consoles do início dos anos 1980. Depois, entrou para a história da criptografia: trabalhou com Phil Zimmermann numa das primeiras versões do PGP, programa de criptografia de e-mails, e foi um dos primeiros contratados da PGP Corporation, onde ficou até se aposentar em 2011.

Um cypherpunk antes do bitcoin

Nos anos 1990, Finney era presença constante na lista de e-mails dos cypherpunks, grupo que defendia a privacidade por meio da criptografia. Ele operou um dos primeiros remetentes anônimos de e-mail baseados em criptografia.

Em 2004, criou o RPOW (Reusable Proofs of Work), um sistema de dinheiro digital baseado em prova de trabalho. O projeto não decolou, mas antecipou uma ideia central do bitcoin, lançado quatro anos depois.

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Hal Finney e o nascimento do bitcoin

Quando Satoshi Nakamoto publicou o whitepaper do bitcoin, em outubro de 2008, a maioria dos criptógrafos reagiu com ceticismo. Finney foi uma das poucas vozes entusiasmadas.

A sequência de fatos em janeiro de 2009 é bem documentada:

DataFato
8 de janeiro de 2009Finney é o primeiro a responder ao anúncio do software do bitcoin
10 de janeiro de 2009Publica “Running bitcoin” no Twitter, avisando que rodava o programa
12 de janeiro de 2009Recebe 10 BTC de Satoshi, a primeira transação entre duas pessoas na rede

Captura do tweet de Hal Finney, perfil halfin, com o texto Running bitcoin O tweet “Running bitcoin”, considerado o primeiro sobre a moeda, é relembrado todo ano pela comunidade. Crédito: Hal Finney, captura de tela em domínio público, via Wikimedia Commons

Ele contou depois que trocou e-mails com Satoshi por alguns dias, principalmente para relatar bugs. Também minerou blocos usando o processador do computador, quando a dificuldade era a mínima possível, e parou porque a máquina esquentava e o ventilador fazia barulho demais.

Quer entender o que significam esses blocos e moedas? Veja o que é bitcoin e o que são satoshis.

A luta contra a ELA

No início de 2009, Finney estava na melhor forma física da vida e treinava para uma maratona. Vieram então a fala arrastada, a fraqueza nas mãos e a recuperação lenta nas pernas. Em agosto de 2009, recebeu o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenerativa que paralisa os músculos.

Em março de 2013, publicou no fórum BitcoinTalk o texto “Bitcoin and Me”, hoje preservado pelo Satoshi Nakamoto Institute. Nele, contou que estava praticamente paralisado, alimentado por sonda e respirando com ajuda de aparelho. Mesmo assim, continuava programando com um sistema de rastreamento ocular e até criou uma interface para mover a cadeira de rodas com os olhos.

O último projeto dele foi justamente sobre bitcoin: um software experimental para reforçar a segurança de carteiras usando recursos de proteção do processador. A mesma preocupação está por trás das carteiras dedicadas de hoje, explicadas no guia de hardware wallet.

A carta ganhou uma versão narrada em português. Vale ouvir para conhecer, na voz do próprio relato, como Finney viveu os primeiros dias do bitcoin e a doença.

Extorsão no fim da vida

No último ano de vida, Finney e a família receberam ligações anônimas exigindo 1.000 bitcoins. Também foram vítimas de swatting, quando criminosos fazem denúncias falsas para mandar a polícia à casa da vítima.

Por que Hal Finney foi “congelado”

Finney era ligado ao movimento extropiano, que aposta em tecnologia para prolongar a vida. Ele havia escolhido a criopreservação muito antes de adoecer.

Segundo o CoinDesk, ele foi declarado morto às 9h de 28 de agosto de 2014, em Phoenix, no Arizona, aos 58 anos. Logo depois, o corpo passou pela preparação inicial da Alcor Life Extension Foundation, com sede em Scottsdale.

Como funciona, em linhas gerais:

  • O corpo é resfriado e armazenado em nitrogênio líquido, a cerca de -196 °C, segundo a Decrypt.
  • A ideia é preservar o paciente até que uma tecnologia futura consiga reverter a doença e a própria preservação.
  • A preservação de corpo inteiro na Alcor pode custar até US$ 220 mil, valor citado pela Decrypt em 2024, e costuma ser paga com seguro de vida.
  • Não existe hoje nenhuma técnica capaz de reanimar um paciente criopreservado. A prática é vista com ceticismo pela maior parte da comunidade científica.

Qual era a fortuna de Hal Finney?

Aqui é preciso separar fato de especulação. Nunca houve número oficial sobre quantos bitcoins ele teve.

O que se sabe, pelas palavras dele e por reportagens:

  1. Ele minerou “vários blocos” em 2009. Cada bloco pagava 50 BTC na época, mas ele não informou quantos minerou.
  2. No fim de 2010, percebeu que as moedas tinham valor, encontrou a carteira antiga intacta e transferiu tudo para uma carteira offline destinada aos herdeiros.
  3. Em 2013, escreveu que os bitcoins estavam num cofre bancário e que os filhos sabiam acessá-los.
  4. No mesmo ano, segundo o CoinDesk e a Wikipedia, vendeu boa parte das moedas para pagar despesas médicas, quando o bitcoin passou de US$ 100.

Sites que citam “milhares de bitcoins” ou valores bilionários para Finney não apresentam prova. O destino do que restou, se restou algo, é desconhecido. Para comparar com o caso mais famoso de moedas antigas, leia sobre a fortuna de Satoshi Nakamoto.

Os 10 BTC da primeira transação, sozinhos, valem hoje o equivalente a dez vezes a cotação do bitcoin. Acompanhe o valor ao vivo na página de preço do bitcoin.

Hal Finney era Satoshi Nakamoto?

A teoria é antiga e tem argumentos chamativos: ele era um criptógrafo de primeira linha, criou o RPOW e foi o primeiro a usar o bitcoin. Em 2014, a Forbes revelou que Finney morou por cerca de dez anos em Temple City, a mesma cidade de Dorian Nakamoto, homem que a imprensa chegou a apontar como Satoshi.

Finney sempre negou. E as evidências contrárias são fortes:

  • A corrida de abril de 2009: Jameson Lopp mostrou, em artigo de 2023, que Satoshi trocava e-mails com o desenvolvedor Mike Hearn enquanto Finney corria uma prova de 10 milhas em Santa Barbara, registrada em fotos.
  • Estilo de programação: o código do RPOW usa convenções diferentes das do código original do bitcoin.
  • Comportamento online: houve períodos em que Satoshi sumiu enquanto Finney seguia postando normalmente.
  • A própria troca de mensagens: Finney relatou bugs para Satoshi e recebeu respostas, algo difícil de encenar por anos.

Lopp reconhece que é impossível provar uma negativa. Mesmo assim, a maioria dos estudiosos considera improvável que Finney fosse Satoshi.

Estátua de bronze de Satoshi Nakamoto com capuz e rosto espelhado, exposta em um parque Estátua em homenagem a Satoshi Nakamoto, com capuz e rosto sem traços: a identidade do criador do bitcoin segue desconhecida. Crédito: Imagem: Boletim Bitcoin

Se o mistério de Satoshi interessa, veja também as 12 frases de Satoshi Nakamoto explicadas.

O legado de Hal Finney

Finney ajudou a criar as ferramentas de privacidade que inspiraram o bitcoin e foi o primeiro a apostar publicamente na rede. Hoje, a Human Rights Foundation mantém um prêmio com o nome dele.

Para uma visão geral em português da trajetória dele, do PGP à criopreservação, este vídeo resume bem a história.

Todo dia 10 de janeiro, bitcoiners lembram o "Running bitcoin" como marco da história da moeda.

Para continuar aprendendo sobre a origem e o funcionamento do bitcoin, visite a seção Aprenda. Se quer ter suas primeiras frações, o guia de como comprar bitcoin mostra o passo a passo.

Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

Perguntas frequentes

Quem foi Hal Finney?

Hal Finney (1956-2014) foi um programador e criptógrafo americano, colaborador do PGP e membro dos cypherpunks. Foi a primeira pessoa, depois de Satoshi Nakamoto, a rodar o software do bitcoin e recebeu a primeira transação da rede.

Hal Finney foi congelado?

Sim. Ele morreu em 28 de agosto de 2014, aos 58 anos, por complicações da ELA, e seu corpo foi criopreservado pela Alcor Life Extension Foundation, em Scottsdale, no Arizona.

Quantos bitcoins Hal Finney tinha?

O número nunca foi divulgado. Ele minerou alguns blocos em 2009, guardou as moedas em carteira offline para os herdeiros e vendeu boa parte em 2013 para pagar despesas médicas.

Hal Finney era Satoshi Nakamoto?

Ele sempre negou. Em 2023, Jameson Lopp mostrou que Satoshi enviou e-mails enquanto Finney corria uma prova de 10 milhas em abril de 2009, um dos argumentos mais fortes contra a teoria.

Quanto Satoshi enviou para Hal Finney?

Satoshi enviou 10 BTC para Hal Finney em 12 de janeiro de 2009, a primeira transação entre duas pessoas na rede bitcoin.

Referências

  1. Wikipedia: Hal Finney (computer scientist)
  2. Human Rights Foundation: About Hal
  3. Satoshi Nakamoto Institute: Bitcoin and Me (Hal Finney), 2013
  4. CoinDesk: Bitcoin Pioneer and First Bitcoin Recipient Hal Finney Passes Away
  5. Decrypt: Meet the Cryonics Company Preserving Hal Finney's Body
  6. Jameson Lopp: Hal Finney Was Not Satoshi Nakamoto
  7. Cointelegraph: Bitcoiners celebrate 17th anniversary of Hal Finney's Running Bitcoin
  8. Satoshi Nakamoto: Bitcoin, A Peer-to-Peer Electronic Cash System (whitepaper)
  9. Alcor Life Extension Foundation (site oficial)
  10. Wikimedia Commons: Hal Finney doing math (1972, domínio público)
  11. Wikimedia Commons: First tweet about bitcoin (domínio público)
  12. YouTube/Paradigma Education: O Bitcoin e Eu, carta narrada em português
  13. YouTube/João Trein: A incrível história de Hal Finney
  • Hal Finney
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  • cypherpunks
  • criopreservação

Este conteúdo é informativo e não é recomendação de investimento. Encontrou um erro? Escreva para contato@boletimbitcoin.com.

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