Stablecoin é uma criptomoeda feita para manter o preço estável, quase sempre atrelada ao dólar americano: 1 token busca valer US$ 1. As maiores são o USDT (Tether) e o USDC (Circle), que juntas somavam mais de US$ 250 bilhões em circulação em outubro de 2026. Elas servem para guardar valor em dólar dentro do mercado cripto, pagar e transferir dinheiro entre países.
Em resumo: uma stablecoin é um “dólar digital” emitido por uma empresa ou por um protocolo. A estabilidade depende das reservas e da confiança no emissor, não de um banco central. O mercado total chegou a cerca de US$ 300 bilhões em 25 de outubro de 2026, segundo o DefiLlama. O risco existe: há casos de moedas que perderam a paridade, uma delas de forma definitiva.
Para que serve uma stablecoin?
O bitcoin e as outras criptomoedas oscilam muito. A stablecoin resolve um problema prático: ter um ativo com valor previsível sem sair da blockchain.
- Porto seguro dentro das corretoras: quem vende bitcoin pode ficar em USDT esperando, sem converter para reais.
- Dolarização: em países com inflação alta, muita gente usa stablecoins como poupança em dólar.
- Pagamentos e remessas: transferir US$ 1.000 entre países em minutos, 24 horas por dia.
- DeFi: são a principal moeda de empréstimos e trocas em aplicativos descentralizados. Veja o que é DeFi.
Stablecoins em números (outubro de 2026)
Os números são do painel de stablecoins do DefiLlama e da página oficial do USDC.
Como uma stablecoin mantém o valor?
O segredo é a promessa de resgate. Se o USDT cai para US$ 0,99 no mercado, um grande operador pode comprá-lo barato e resgatá-lo por US$ 1 junto à emissora, lucrando a diferença. Essa arbitragem empurra o preço de volta à paridade. Por isso a qualidade das reservas é tudo.
Os tipos de stablecoin
| Tipo | Como funciona | Exemplos | Principal risco |
|---|---|---|---|
| Lastreada em moeda | Empresa guarda dólares e títulos públicos para cada token emitido | USDT, USDC | Falha, fraude ou bloqueio do emissor |
| Lastreada em cripto | Usuários depositam cripto acima do valor emprestado, por contrato inteligente | DAI, USDS | Queda brusca do colateral e falhas de código |
| Sintética | Combina cripto com posições em derivativos para neutralizar o preço | USDe (Ethena) | Funding negativo e risco de contraparte |
| Algorítmica | Tenta manter o preço só com incentivos e outro token | UST (Terra, extinta) | Espiral de queda, como em 2022 |
Acompanhe a cotação de cada uma: Tether, USD Coin, Dai e Ethena USDe.
USDT x USDC: qual a diferença?
O USDT, da Tether, é a maior stablecoin do mundo e a mais negociada nas corretoras brasileiras. Crédito: Boletim Bitcoin.
USDT (Tether)
- Maior e mais líquida: cerca de US$ 182 bi em circulação
- Reservas com títulos do Tesouro americano, ouro (mais de 146 toneladas) e bitcoin
- Atestados trimestrais pela BDO
- Publica relatórios de reservas, não auditoria completa
USDC (Circle)
- Segunda maior: US$ 72 bi em circulação
- Reservas em caixa e num fundo de títulos públicos gerido pela BlackRock
- Atestados mensais por uma das quatro grandes auditorias
- Empresa americana, sujeita às regras dos EUA
No segundo trimestre de 2026, a Tether informou cerca de US$ 187,75 bilhões em ativos contra US$ 183,64 bilhões em passivos, uma sobra de US$ 4,1 bilhões, segundo reportagem da Crowdfund Insider. A empresa publica os relatórios na sua página de transparência.
Para converter na hora, use /usdt-em-reais/.
Quais são os riscos de uma stablecoin?
Perder a paridade (depeg)
Dois casos mostram que “estável” não quer dizer “sem risco”:
- TerraUSD (UST), maio de 2022: a stablecoin algorítmica começou a perder a paridade em 9 de maio e caiu para cerca de 10 centavos em uma semana. O ecossistema Terra perdeu quase US$ 45 bilhões em valor de mercado, segundo a Wikipedia. Quem segurou nunca recuperou o dinheiro.
- USDC, março de 2023: cerca de US$ 3,3 bilhões das reservas, perto de 8% do total, estavam no Silicon Valley Bank quando ele quebrou. O USDC ficou abaixo de US$ 1 e voltou à paridade quatro dias depois.
Risco do emissor e congelamento
Stablecoins centralizadas podem ser congeladas pelo emissor, por ordem judicial ou suspeita de crime. É uma proteção contra golpes, mas também mostra que você depende de uma empresa.
Risco da plataforma
Deixar stablecoins em corretora ou em aplicativo de rendimento adiciona o risco daquela empresa. Taxas de rendimento muito acima do mercado costumam esconder alavancagem ou fraude.
Como as stablecoins são reguladas?
Nos EUA, o GENIUS Act foi sancionado em 18 de julho de 2025, segundo a Casa Branca. A lei cria regras federais para stablecoins de pagamento lastreadas em dólar, com exigências de reservas.
No Brasil, o Banco Central publicou em novembro de 2025 as resoluções 519, 520 e 521 sobre ativos virtuais, em vigor desde 2 de fevereiro de 2026. A Resolução 521 coloca operações internacionais com stablecoins dentro das regras do mercado de câmbio e exige identificar remetente e destinatário, inclusive em transferências com carteiras de autocustódia, segundo análise do escritório Demarest. A eventual cobrança de IOF depende de regulamentação da Receita.
Na declaração anual, stablecoins seguem as regras de criptoativos explicadas no guia de imposto de renda sobre criptomoedas.
Quem quer entender o que as novas regras do Banco Central mudam para corretoras e usuários pode ver a reportagem abaixo.
Como comprar stablecoin no Brasil com segurança
- Escolha uma corretora autorizadaPrefira plataformas que pediram autorização ao Banco Central dentro do prazo.
- Deposite reais via PixUse conta no seu próprio CPF.
- Compre USDT ou USDCCompare o preço em reais com a cotação do dólar para ver o spread cobrado.
- Defina onde guardarPara valores maiores, considere uma carteira própria. Veja os tipos em carteira de criptomoedas.
- Confira a rede no saqueA mesma stablecoin existe em várias redes (Ethereum, Tron, Solana); envie pela rede que o destino aceita.
Compare o preço pago com o dólar hoje: a diferença é o custo embutido. Para guardar fora da corretora, leia carteira de criptomoedas.
Resumo
Stablecoins são tokens que buscam valer US$ 1, sustentados pelas reservas e pela credibilidade de quem os emite. USDT e USDC dominam o mercado de US$ 300 bilhões. São úteis para estacionar dinheiro em dólar dentro do mercado cripto e para transferências rápidas, mas não são depósito bancário: há risco de emissor, de plataforma e de perda de paridade.
Dados verificados em 25 de outubro de 2026.
Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.
Perguntas frequentes
Stablecoin rende?
A stablecoin em si não paga juros ao detentor: o emissor fica com o rendimento das reservas. Algumas plataformas oferecem rendimento ao emprestar suas stablecoins, mas aí entram riscos da plataforma e do protocolo.
USDT ou USDC: qual é mais seguro?
Os dois buscam valer US$ 1. O USDC, da Circle, mantém reservas em caixa e num fundo de títulos do governo americano com atestados mensais. O USDT, da Tether, é maior e mais líquido, com reservas que incluem títulos americanos, ouro e bitcoin, atestadas pela BDO. Cada um tem riscos próprios de emissor.
Stablecoin pode perder o valor?
Pode. A TerraUSD (UST) desabou em maio de 2022 e chegou a cerca de 10 centavos. O USDC caiu abaixo de US$ 1 por alguns dias em março de 2023, quando parte das reservas ficou presa no Silicon Valley Bank.
Comprar stablecoin é o mesmo que comprar dólar?
Não. Você compra um token que promete ser resgatável por US$ 1, emitido por uma empresa privada. Não tem garantia do FGC nem do governo americano, e no Brasil as operações seguem regras próprias de cripto e de câmbio.
Precisa declarar stablecoin no imposto de renda?
Sim, stablecoins são criptoativos e seguem as mesmas regras de declaração das outras criptomoedas na ficha de Bens e Direitos.
Referências
- DefiLlama: painel de stablecoins (25/10/2026)
- Circle: página do USDC (circulação em 22/10/2026 e reservas)
- Tether: transparência e reservas
- Crowdfund Insider: Tether reporta lucro de US$ 1,5 bi no 2º tri de 2026 (04/08/2026)
- Casa Branca: sanção do S. 1582, GENIUS Act (18/07/2025)
- Wikipedia: Terra (blockchain), colapso da UST
- Wikipedia: USD Coin, episódio do Silicon Valley Bank
- Demarest: Resolução BCB 521 e stablecoins no mercado de câmbio (nov/2025)
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