Ilustração da stablecoin Tether (USDT) e do dólar americano
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O que é stablecoin: como funcionam USDT e USDC e quais os riscos

Stablecoin é uma cripto atrelada ao dólar. Veja como USDT e USDC funcionam, quem garante o lastro, os tipos, os riscos de desatrelar e as regras no Brasil.

Imagem: Boletim Bitcoin

Por Redação Boletim Bitcoin

. Leitura de 5 min.

Stablecoin é uma criptomoeda feita para manter o preço estável, quase sempre atrelada ao dólar americano: 1 token busca valer US$ 1. As maiores são o USDT (Tether) e o USDC (Circle), que juntas somavam mais de US$ 250 bilhões em circulação em outubro de 2026. Elas servem para guardar valor em dólar dentro do mercado cripto, pagar e transferir dinheiro entre países.

Em resumo: uma stablecoin é um “dólar digital” emitido por uma empresa ou por um protocolo. A estabilidade depende das reservas e da confiança no emissor, não de um banco central. O mercado total chegou a cerca de US$ 300 bilhões em 25 de outubro de 2026, segundo o DefiLlama. O risco existe: há casos de moedas que perderam a paridade, uma delas de forma definitiva.

Para que serve uma stablecoin?

O bitcoin e as outras criptomoedas oscilam muito. A stablecoin resolve um problema prático: ter um ativo com valor previsível sem sair da blockchain.

  • Porto seguro dentro das corretoras: quem vende bitcoin pode ficar em USDT esperando, sem converter para reais.
  • Dolarização: em países com inflação alta, muita gente usa stablecoins como poupança em dólar.
  • Pagamentos e remessas: transferir US$ 1.000 entre países em minutos, 24 horas por dia.
  • DeFi: são a principal moeda de empréstimos e trocas em aplicativos descentralizados. Veja o que é DeFi.

Stablecoins em números (outubro de 2026)

US$ 300 bivalor total em stablecoins (DefiLlama, 25/10)
60,7%fatia do USDT no mercado
US$ 182 biUSDT em circulação
US$ 72 biUSDC em circulação (Circle, 22/10)

Os números são do painel de stablecoins do DefiLlama e da página oficial do USDC.

Como uma stablecoin mantém o valor?

O segredo é a promessa de resgate. Se o USDT cai para US$ 0,99 no mercado, um grande operador pode comprá-lo barato e resgatá-lo por US$ 1 junto à emissora, lucrando a diferença. Essa arbitragem empurra o preço de volta à paridade. Por isso a qualidade das reservas é tudo.

Os tipos de stablecoin

TipoComo funcionaExemplosPrincipal risco
Lastreada em moedaEmpresa guarda dólares e títulos públicos para cada token emitidoUSDT, USDCFalha, fraude ou bloqueio do emissor
Lastreada em criptoUsuários depositam cripto acima do valor emprestado, por contrato inteligenteDAI, USDSQueda brusca do colateral e falhas de código
SintéticaCombina cripto com posições em derivativos para neutralizar o preçoUSDe (Ethena)Funding negativo e risco de contraparte
AlgorítmicaTenta manter o preço só com incentivos e outro tokenUST (Terra, extinta)Espiral de queda, como em 2022

Acompanhe a cotação de cada uma: Tether, USD Coin, Dai e Ethena USDe.

USDT x USDC: qual a diferença?

Moeda com o símbolo da Tether sobre notas de dólar americano O USDT, da Tether, é a maior stablecoin do mundo e a mais negociada nas corretoras brasileiras. Crédito: Boletim Bitcoin.

USDT (Tether)

  • Maior e mais líquida: cerca de US$ 182 bi em circulação
  • Reservas com títulos do Tesouro americano, ouro (mais de 146 toneladas) e bitcoin
  • Atestados trimestrais pela BDO
  • Publica relatórios de reservas, não auditoria completa

USDC (Circle)

  • Segunda maior: US$ 72 bi em circulação
  • Reservas em caixa e num fundo de títulos públicos gerido pela BlackRock
  • Atestados mensais por uma das quatro grandes auditorias
  • Empresa americana, sujeita às regras dos EUA

No segundo trimestre de 2026, a Tether informou cerca de US$ 187,75 bilhões em ativos contra US$ 183,64 bilhões em passivos, uma sobra de US$ 4,1 bilhões, segundo reportagem da Crowdfund Insider. A empresa publica os relatórios na sua página de transparência.

Para converter na hora, use /usdt-em-reais/.

Quais são os riscos de uma stablecoin?

Perder a paridade (depeg)

Dois casos mostram que “estável” não quer dizer “sem risco”:

  • TerraUSD (UST), maio de 2022: a stablecoin algorítmica começou a perder a paridade em 9 de maio e caiu para cerca de 10 centavos em uma semana. O ecossistema Terra perdeu quase US$ 45 bilhões em valor de mercado, segundo a Wikipedia. Quem segurou nunca recuperou o dinheiro.
  • USDC, março de 2023: cerca de US$ 3,3 bilhões das reservas, perto de 8% do total, estavam no Silicon Valley Bank quando ele quebrou. O USDC ficou abaixo de US$ 1 e voltou à paridade quatro dias depois.

Risco do emissor e congelamento

Stablecoins centralizadas podem ser congeladas pelo emissor, por ordem judicial ou suspeita de crime. É uma proteção contra golpes, mas também mostra que você depende de uma empresa.

Risco da plataforma

Deixar stablecoins em corretora ou em aplicativo de rendimento adiciona o risco daquela empresa. Taxas de rendimento muito acima do mercado costumam esconder alavancagem ou fraude.

Atenção: stablecoin não tem cobertura do FGC. Se o emissor ou a corretora quebrar, não há garantia de devolução. Promessas de "renda fixa em dólar" com 2% ao mês são sinal clássico de golpe.

Como as stablecoins são reguladas?

Nos EUA, o GENIUS Act foi sancionado em 18 de julho de 2025, segundo a Casa Branca. A lei cria regras federais para stablecoins de pagamento lastreadas em dólar, com exigências de reservas.

No Brasil, o Banco Central publicou em novembro de 2025 as resoluções 519, 520 e 521 sobre ativos virtuais, em vigor desde 2 de fevereiro de 2026. A Resolução 521 coloca operações internacionais com stablecoins dentro das regras do mercado de câmbio e exige identificar remetente e destinatário, inclusive em transferências com carteiras de autocustódia, segundo análise do escritório Demarest. A eventual cobrança de IOF depende de regulamentação da Receita.

Na declaração anual, stablecoins seguem as regras de criptoativos explicadas no guia de imposto de renda sobre criptomoedas.

Quem quer entender o que as novas regras do Banco Central mudam para corretoras e usuários pode ver a reportagem abaixo.

Como comprar stablecoin no Brasil com segurança

  1. Escolha uma corretora autorizadaPrefira plataformas que pediram autorização ao Banco Central dentro do prazo.
  2. Deposite reais via PixUse conta no seu próprio CPF.
  3. Compre USDT ou USDCCompare o preço em reais com a cotação do dólar para ver o spread cobrado.
  4. Defina onde guardarPara valores maiores, considere uma carteira própria. Veja os tipos em carteira de criptomoedas.
  5. Confira a rede no saqueA mesma stablecoin existe em várias redes (Ethereum, Tron, Solana); envie pela rede que o destino aceita.

Compare o preço pago com o dólar hoje: a diferença é o custo embutido. Para guardar fora da corretora, leia carteira de criptomoedas.

Resumo

Stablecoins são tokens que buscam valer US$ 1, sustentados pelas reservas e pela credibilidade de quem os emite. USDT e USDC dominam o mercado de US$ 300 bilhões. São úteis para estacionar dinheiro em dólar dentro do mercado cripto e para transferências rápidas, mas não são depósito bancário: há risco de emissor, de plataforma e de perda de paridade.

Dados verificados em 25 de outubro de 2026.

Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

Perguntas frequentes

Stablecoin rende?

A stablecoin em si não paga juros ao detentor: o emissor fica com o rendimento das reservas. Algumas plataformas oferecem rendimento ao emprestar suas stablecoins, mas aí entram riscos da plataforma e do protocolo.

USDT ou USDC: qual é mais seguro?

Os dois buscam valer US$ 1. O USDC, da Circle, mantém reservas em caixa e num fundo de títulos do governo americano com atestados mensais. O USDT, da Tether, é maior e mais líquido, com reservas que incluem títulos americanos, ouro e bitcoin, atestadas pela BDO. Cada um tem riscos próprios de emissor.

Stablecoin pode perder o valor?

Pode. A TerraUSD (UST) desabou em maio de 2022 e chegou a cerca de 10 centavos. O USDC caiu abaixo de US$ 1 por alguns dias em março de 2023, quando parte das reservas ficou presa no Silicon Valley Bank.

Comprar stablecoin é o mesmo que comprar dólar?

Não. Você compra um token que promete ser resgatável por US$ 1, emitido por uma empresa privada. Não tem garantia do FGC nem do governo americano, e no Brasil as operações seguem regras próprias de cripto e de câmbio.

Precisa declarar stablecoin no imposto de renda?

Sim, stablecoins são criptoativos e seguem as mesmas regras de declaração das outras criptomoedas na ficha de Bens e Direitos.

Referências

  1. DefiLlama: painel de stablecoins (25/10/2026)
  2. Circle: página do USDC (circulação em 22/10/2026 e reservas)
  3. Tether: transparência e reservas
  4. Crowdfund Insider: Tether reporta lucro de US$ 1,5 bi no 2º tri de 2026 (04/08/2026)
  5. Casa Branca: sanção do S. 1582, GENIUS Act (18/07/2025)
  6. Wikipedia: Terra (blockchain), colapso da UST
  7. Wikipedia: USD Coin, episódio do Silicon Valley Bank
  8. Demarest: Resolução BCB 521 e stablecoins no mercado de câmbio (nov/2025)
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