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Ondas de Elliott: teoria, regras e como aplicar no gráfico

Ondas de Elliott explicadas: estrutura 5-3, as três regras do impulso, relações de Fibonacci, exemplo calculado no bitcoin, stop e críticas à teoria.

Imagem: Alex Proimos, licença CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

Por Redação Boletim Bitcoin

. Leitura de 6 min.

As Ondas de Elliott são uma teoria segundo a qual os preços se movem em padrões que se repetem: cinco ondas a favor da tendência (numeradas de 1 a 5) e três ondas de correção (A, B e C). O analista identifica em que onda o mercado provavelmente está e usa três regras fixas e proporções de Fibonacci para estimar alvos e pontos de invalidação. É uma ferramenta de cenários, não de certezas.

Em resumo: a teoria foi criada por R. N. Elliott nos anos 1930 e popularizada por Robert Prechter nos anos 1970. A estrutura básica é 5-3, com três regras para as ondas de impulso. O ponto mais útil na prática é a invalidação: quando uma regra é quebrada, a contagem está errada e o stop deve estar ali. A principal crítica é a subjetividade.

Antes de contar ondas, vale dominar tendência e níveis, assuntos do guia de análise técnica para iniciantes, e as proporções explicadas em Fibonacci no trading.

Quem criou as Ondas de Elliott?

Ralph Nelson Elliott era um contador americano que, nos anos 1930, estudou décadas de dados do mercado de ações e concluiu que os movimentos seguiam padrões ligados à psicologia das multidões. Segundo a Wikipedia, ele publicou The Wave Principle em 1938 e apresentou a versão mais completa em Nature’s Law, de 1946. Morreu em 1948.

A teoria voltou à cena com A. J. Frost e, principalmente, Robert Prechter, que a conheceu na Merrill Lynch nos anos 1970 e a divulgou na década seguinte. A StockCharts resume a ideia central: os padrões são fractais, ou seja, se repetem em todos os tamanhos, do gráfico de minutos ao de décadas.

  1. Anos 1930R. N. Elliott desenvolve o modelo estudando o mercado americano.
  2. 1938Publica The Wave Principle.
  3. 1946Lança Nature's Law, a versão mais completa.
  4. 1948Morte de Elliott; Collins, Bolton e Frost mantêm a teoria viva.
  5. Anos 1970 e 1980Robert Prechter populariza o método.

A estrutura 5-3

  • Ondas de impulso (1, 2, 3, 4, 5): andam na direção da tendência maior. As ondas 1, 3 e 5 avançam; 2 e 4 corrigem.
  • Ondas corretivas (A, B, C): andam contra a tendência maior.

As oito ondas formam um ciclo completo. Cada onda se divide em ondas menores do mesmo formato, e cada ciclo é parte de uma onda maior.

OndaComportamento típico
1Início discreto; muitos ainda acham que é só um repique
2Correção que devolve boa parte da onda 1
3Normalmente a mais longa e forte, com volume alto
4Correção mais lateral e rasa
5Último avanço, muitas vezes com divergência no IFR
A, B, CCorreção da sequência inteira

Graus das ondas

A Wikipedia lista os graus do maior ao menor: grande superciclo (séculos), superciclo (cerca de 40 a 70 anos), ciclo (um a vários anos), primária (meses a dois anos), intermediária (semanas a meses), menor (semanas), minuto (dias), minuette (horas) e subminuette (minutos). Os graus são definidos pela forma, não por medidas exatas de tempo.

As três regras das ondas de impulso

Regras que não podem ser quebradas: 1) a onda 2 nunca recua mais de 100% da onda 1; 2) a onda 3 nunca é a mais curta entre 1, 3 e 5; 3) a onda 4 não entra na faixa de preço da onda 1. Se alguma for violada, a contagem está errada.

Além das regras, há diretrizes, que costumam acontecer mas não são obrigatórias. A Wikipedia cita algumas ligadas a Fibonacci:

DiretrizProporção comum
Tamanho da onda 3Cerca de 1,618 vez a onda 1
Recuo da onda 2Geralmente até 61,8% da onda 1
Recuo da onda 4Geralmente menos de 38,2% da onda 3

As correções costumam assumir formatos conhecidos, como zigue-zague, correção plana e triângulo.

Para ver a estrutura 5-3 e as regras desenhadas num gráfico, a Valutrades tem uma aula introdutória em português sobre a teoria.

Exemplo calculado: uma contagem hipotética no bitcoin

Suponha que o bitcoin suba de US$ 60.000 para US$ 70.000 e que você trate esse movimento como possível onda 1 (valores hipotéticos). Usando as diretrizes:

EtapaContaPreço
Onda 160.000 → 70.000tamanho de US$ 10.000
Fim da onda 2 (recuo de 61,8%)70.000 − 0,618 × 10.000US$ 63.820
Fim da onda 3 (1,618 × onda 1)63.820 + 1,618 × 10.000US$ 80.000
Fim da onda 4 (recuo de 38,2% da onda 3)80.000 − 0,382 × 16.180US$ 73.819
Fim da onda 5 (igual à onda 1)73.819 + 10.000US$ 83.819

Confira as regras: a onda 2 (US$ 63.820) não passou do início da onda 1 (US$ 60.000); a onda 3 (US$ 16.180) é a maior; e a onda 4 (US$ 73.819) não entrou na faixa da onda 1, que terminou em US$ 70.000. A contagem é válida, por enquanto.

Preço relativo do bitcoin a partir de cada halving, em escala logarítmica Os grandes ciclos do bitcoin, aqui alinhados a partir de cada halving em escala logarítmica, são o tipo de gráfico em que analistas tentam contar ondas de grau maior. Crédito: Kurzycz, licença CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

No bitcoin, muitos analistas tentam encaixar os ciclos do bitcoin, ligados ao halving, em ondas de grau maior. É um exercício interessante, mas cheio de contagens alternativas. Acompanhe o gráfico em /preco-bitcoin/.

Como aplicar Elliott com gestão de risco

A maior utilidade prática das regras é dizer onde a contagem morre. Isso vira um stop objetivo:

  1. Identifique a onda 1Um primeiro impulso claro depois de uma tendência de baixa.
  2. Espere a onda 2Recuo até a zona de 50% a 61,8%, de preferência num suporte.
  3. Entre com confirmaçãoCandle de reversão ou rompimento de um topo menor.
  4. Stop na invalidaçãoAbaixo do início da onda 1: se passar dali, a regra 1 foi quebrada.
  5. Alvo na onda 3Projeção de 1,618 vez a onda 1 a partir do fim da onda 2.

No exemplo: entrada em US$ 63.820, stop em US$ 59.900 (abaixo dos US$ 60.000 do início da onda 1). Risco de US$ 3.920 por bitcoin. Alvo em US$ 80.000, ganho potencial de US$ 16.180, relação de 1 para 4,1. Com conta de US$ 10.000 e risco de 1% (US$ 100), a posição é 100 ÷ 3.920 = 0,0255 BTC. O cálculo segue o método do guia de gestão de risco no trading.

Elliott também funciona em ações brasileiras e no EUR/USD, sempre no mesmo princípio: confluência com suporte e resistência, confirmação de candle e divergência no IFR para sinalizar uma possível onda 5. O horizonte de dias a semanas é o do swing trade.

Críticas e limitações das Ondas de Elliott

Pontos fortes

  • Organiza o gráfico em cenários
  • Regras claras de invalidação
  • Integra tendência, correção e Fibonacci

Críticas

  • Contagens subjetivas e revisadas com frequência
  • Flexível a ponto de explicar qualquer gráfico depois do fato
  • Sem evidência estatística das proporções de Fibonacci

A Wikipedia reúne críticas de peso:

  • Benoit Mandelbrot considerava a previsão por ondas um exercício muito incerto, mais dependente do julgamento do analista do que de resultados replicáveis.
  • David Aronson argumentou que as regras soltas e as ondas dentro de ondas permitem encaixar quase qualquer histórico de preço, o que torna a teoria pouco testável.
  • Batchelor e Ramyar não encontraram diferença significativa entre a frequência das proporções de Fibonacci nos ciclos do índice Dow Jones e o que o acaso produziria.

O verbete sobre retração de Fibonacci acrescenta que testes com milhares de ações não encontraram os níveis de 38%, 50% e 62% com mais frequência do que outros. A StockCharts, por sua vez, trata as retrações como zonas de alerta, e não como pontos exatos de reversão.

Dica: trabalhe sempre com uma contagem principal e uma alternativa. Quando o preço invalida a principal, você já sabe o que observar, em vez de forçar o gráfico a caber na sua ideia.

Para quem opera o índice brasileiro, a mesma lógica pode ser aplicada ao gráfico do Ibovespa; entenda o índice em o que é o Ibovespa.

Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

Perguntas frequentes

O que são as Ondas de Elliott?

É uma teoria criada por Ralph Nelson Elliott nos anos 1930 segundo a qual o mercado se move em padrões repetitivos: cinco ondas a favor da tendência (impulso) e três contra (correção), refletindo a psicologia coletiva dos investidores.

Quais são as regras das Ondas de Elliott?

São três regras para uma onda de impulso: a onda 2 nunca recua mais de 100% da onda 1; a onda 3 nunca é a mais curta entre as ondas 1, 3 e 5; e a onda 4 não entra na faixa de preço da onda 1.

Ondas de Elliott funcionam?

A teoria é popular, mas muito criticada por ser subjetiva: analistas diferentes contam ondas de forma diferente, e as contagens são revisadas com frequência. Estudos não encontraram as proporções de Fibonacci com frequência maior que a do acaso.

Qual a relação entre Elliott e Fibonacci?

Elliott concluiu que a sequência de Fibonacci era a base do seu princípio. Na prática, os analistas usam proporções como 61,8% e 161,8% para estimar até onde vão correções e impulsos.

Referências

  1. Wikipedia: Elliott wave principle
  2. StockCharts ChartSchool: Introduction to Elliott Wave Theory
  3. Wikipedia: Fibonacci retracement
  4. StockCharts ChartSchool: Fibonacci Retracements
  5. Valutrades (YouTube): Teoria das Ondas de Elliott
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