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Família de Assange defenderá liberdade de expressão em fórum sobre bitcoin 

A esposa e o irmão do jornalista e fundador do Wikileaks, Julian Assange, participarão de um painel sobre liberdade de expressão em evento sobre bitcoin em Lugano, na Suíça.

Nos dias 28 e 29 de outubro ocorrerá o Plan ₿ Forum em Lugano, na Suíça. O evento organizado pela cidade e pela Tether Operations Limited traz personalidades do universo bitcoiner para compartilhar suas experiências, sendo mais uma iniciativa da cidade que adotou o bitcoin como moeda oficial em março.  

Duas das atrações do evento serão Stella Assange, advogada e esposa do fundador do Wikileaks Julian Assange e Gabriel Shipton, irmão de Assange. Ambos participarão de uma conversa sobre a defesa da liberdade de expressão com o podcaster Peter McCormack, que foi alvo de um processo judicial da parte do autoproclamado Satoshi Nakamoto, Craig Wright.

Os participantes do fórum terão a oportunidade de experienciar os passos de Assange em uma realidade virtual, mostrando sua trajetória da Embaixada do Equador no Reino Unido à sua detenção na prisão de segurança máxima de Belmarsh, em Londres.

Também haverá a exibição do documentário “Ithaka”, produzido pelo irmão de Assange que retrata a luta de seu pai, John Shipton, pela liberdade de Assange.

Ithaka - John Shipton
Ithaka – John Shipton

Assange e o Wikileaks

Julian Assange, jornalista e fundador do Wikileaks, criou a organização sem fins lucrativos em 2006, com o objetivo de divulgar informações confidenciais ou sensíveis de fontes anônimas. 

A plataforma tem sido protagonista dos debates geopolíticos internacionais por ter publicado informações que expuseram inúmeras violações de direitos humanos da parte de entidades ocidentais, sobretudo em intervenções militares do governo estadunidense no Oriente Médio. O Brasil não ficou fora dos vazamentos, que mostraram como a CIA tem monitorado e buscado intervir na política brasileira ao menos desde 2012.

Filmagens de drones lançando mísseis sobre civis no Iraque rodaram o mundo e chamaram a atenção de entidades e figuras de influência global, como Luiz Inácio Lula da Silva e Vladimir Putin, que elogiaram Assange e o Wikileaks.

Em 2011 a organização foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz, com o autor da proposta afirmando que o Wikileaks é “uma das contribuições mais importantes para a liberdade de expressão e transparência. Ao divulgar informações sobre corrupção, violações dos direitos humanos e crimes de guerra, o WikiLeaks é um candidato natural ao Prêmio Nobel da Paz.”

Construída utilizando uma série de protocolos de código aberto como o TOR, PGP, FreeNet e Media Wiki, a história do Wikileaks tamém está intrinsecamente entrelaçada com o Bitcoin.

Julian Assange: o homem que chutou o ninho de vespas

Pode se dizer que o Wikileaks e o Bitcoin salvaram um ao outro, mesmo que a contragosto do criador da moeda.

Em uma de suas últimas aparições em fóruns públicos online, em dezembro de 2010, Satoshi Nakamoto foi questionado sobre se seria bom que o Wikileaks começasse a receber doações em bitcoins.

Satoshi respondeu que seria muito arriscado para o Bitcoin fazer aquilo naquele momento e que não ajudaria muito o Wikileaks: 

“Não, não faça isso. O Bitcoin é uma pequena comunidade beta em sua infância. Você não arrecadaria mais do que alguns trocados, e a pressão que você traria provavelmente nos destruiria nesta fase.”

Um pouco depois, ao saber que o interesse do Wikileaks no Bitcoin já era algo de conhecimento público, Satoshi postou uma icônica afirmação:

“Teria sido bom chamar essa atenção em qualquer outro contexto. O WikiLeaks chutou o ninho de vespas e o enxame está vindo em nossa direção.”

Pouco tempo depois, Satoshi Nakamoto nunca mais se pronunciou publicamente. Mandando apenas uma mensagem particular numa lista de e-mails em abril de 2011. Após isso, o criador do Bitcoin desapareceu e se transformou em um dos maiores mistérios da história.

Pouco tempo depois, em 14 de junho de 2011, o Wikileaks finalmente divulgou um endereço em Bitcoin, com o objetivo de burlar as sanções legais. Com todas as contas bancárias congeladas, o Bitcoin se tornou a única saída. 

Duas ideias com origem no movimento cypherpunk, agora se uniram. A adoção do Bitcoin pelo Wikileaks impulsionou o seu preço e atraiu mais mineradores e usuários. A adoção do Bitcoin pelo Wikileaks permitiu que a atividade da organização continuasse, publicando informações de interesse humanitário de toda comunidade internacional. 

Arquivos secretos da Baía de Guantánamo, documentos internos revelando as atividades de espionagem digital da CIA, os escandalosos e-mails de John Podesta e Hilary Clinton e demais informações publicadas pelo Wikileaks não seriam possíveis sem o Bitcoin.

Mais tarde, Julian Assange agradeceu o governo americano por ter imposto o bloqueio bancário ao Wikileaks, que obteve um lucro de quase 50.000% com o Bitcoin. Mais tarde, Assange afirmou que o Bitcoin poderia transtornar todo sistema político-financeira ao dizer que ele era o verdadeiro Occupy Wall Street.

Bitcoin - Occupy Wall Street
Bitcoin – Occupy Wall Street

Muito disso poderia não ter sido possível sem o Bitcoin doado ao WikiLeaks. Julian Assange comentou que obteve um retorno próximo de 50.000% do Bitcoin como resultado direto do bloqueio financeiro imposto pelo governo dos EUA ao WikiLeaks. Ele também opinaria que era o “verdadeiro Occupy Wall Street”, referindo-se a como o Bitcoin poderia deslocar as mesmas instituições bancárias político-financeiras pelas quais os manifestantes estavam furiosos.

Posteriormente, em 2019, o Wikileaks revelou que Craig Wright estava mentindo e forjando provas alegando ser Satoshi Nakamoto.

Bitcoiners correm o mesmo risco que Julian Assange

Hoje, Julian Assange corre o risco de ser extraditado para os EUA, com toda uma comunidade de apoiadores que considera sua prisão injusta, afirmando que Assange só estava exercendo sua liberdade de expressão.

 Gabriel Shipton, irmão de Assange, alerta a comunidade bitcoiner sobre a importância do que está acontecendo:

“Não são apenas jornalistas e editores que estão em apuros. Aqueles que não recebem a proteção das corporações de mídia – blogueiros, podcasters, youtubers – estão todos no mesmo caminho. É ainda mais preocupante para os bitcoiners, já que os tratados de extradição em vigor após o 11 de setembro agora estão sendo usados contra indivíduos da área de tecnologia que entram em conflito com os interesses dos EUA. Mike Lynch da Autonomy no Reino Unido ou Meng Wanzhou da Huawei no Canadá são alguns exemplos. E, para Julian, a luta ainda não acabou.”

As preocupações sobre liberdade de expressão crescem na comunidade bitcoiner, principalmente após o mixador de transações Tornado Cash ter sido sancionado pelo Departamento do Tesouro dos EUA.

Talvez nem Satoshi ou Assange imaginariam no que o Bitcoin se tornaria, segundo as palavras de Michael Saylor: “Um enxame de vespas cibernéticas servindo à deusa da sabedoria, alimentando-se do fogo da verdade, crescendo exponencialmente cada vez mais inteligente, rápido e forte atrás de uma parede de energia criptografada.”

Igor Sobrinho

Calvinista, capixaba, amante de artes, de comunicação e da computação. Cypherpunk e bitcoinheiro, passeio com meu cachorro nas horas vagas, amo minha esposa.

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