Drex é o projeto de real digital do Banco Central do Brasil: uma infraestrutura para negociar e liquidar ativos tokenizados em reais, como títulos e recebíveis, com regras programáveis. O plano original usava blockchain e chegou a ser apresentado como uma “moeda digital”, mas em 2025 o BC mudou o rumo. Em outubro de 2026 o Drex não está disponível ao público, não há carteira para pessoas físicas e a retomada do projeto é esperada só para 2027.
Em resumo: entre 2023 e 2025, o Banco Central testou o Drex com bancos e empresas numa rede baseada em Hyperledger Besu. Os testes esbarraram em privacidade e sigilo bancário, e o BC desligou a plataforma em novembro de 2025. O novo foco é usar ativos como garantia em operações de crédito, num ambiente que não depende de uma tecnologia específica. Enquanto isso, B3, Anbima e empresas privadas seguem tokenizando por conta própria.
O que é o Drex, afinal?
O nome Drex foi anunciado pelo Banco Central em 2023, no lugar de “real digital”. A ideia era criar uma camada de infraestrutura onde bancos e instituições pudessem negociar ativos tokenizados e liquidar a operação na hora, com dinheiro do banco central, sem depender de vários sistemas separados.
Na prática, o Drex nunca foi pensado como um “Pix novo” para o cidadão comprar pão. O público-alvo inicial sempre foram as instituições financeiras. O próprio coordenador do projeto, Fabio Araujo, disse à Folha que chamar o Drex de moeda digital poderia causar confusão, segundo a Central do Varejo.
Drex, Pix, stablecoin e bitcoin
| Característica | Drex (plano) | Pix | Stablecoin | Bitcoin |
|---|---|---|---|---|
| Quem emite | Banco Central e instituições | Não emite moeda, só transfere | Empresa privada | Ninguém (protocolo) |
| Valor | Igual ao real | Real | Atrelado a moeda (ex.: dólar) | Livre, oscila |
| Foco | Ativos tokenizados e crédito | Pagamentos instantâneos | Pagamentos e reserva em dólar | Reserva de valor e transferências |
| Situação (out/2026) | Em reformulação | Em uso desde 2020 | Em uso | Em uso desde 2009 |
Para entender as alternativas privadas, veja /o-que-e-stablecoin/ e /o-que-e-bitcoin/.
Linha do tempo do Drex
- 2020Banco Central cria grupo de trabalho para estudar uma moeda digital nacional.
- 2021BC publica as diretrizes do real digital.
- 2023Projeto ganha o nome Drex e começa o piloto com instituições participantes.
- 1º sem/2025Termina a segunda fase do piloto, com 13 casos de uso escolhidos entre 42 propostas.
- Ago/2025Coordenador confirma que a próxima fase não usará blockchain.
- 4/nov/2025BC comunica aos participantes que vai construir uma nova infraestrutura.
- 10/nov/2025Rede Hyperledger Besu, base dos testes, é desligada.
- Ago/2026Sem nova fase aberta; retomada prevista para 2027, segundo o Valor.
Por que o Banco Central mudou o rumo do Drex?
O problema central foi a privacidade. Uma blockchain compartilhada facilita a conferência das operações, mas torna difícil esconder dados que, por lei, precisam ser sigilosos entre bancos e clientes.
Em agosto de 2025, segundo o Seu Dinheiro, Araujo confirmou ao Valor que o componente de blockchain seria descontinuado por obstáculos de escalabilidade e privacidade. A reportagem cita também preocupações de segurança depois de um ataque em julho daquele ano, que desviou quase R$ 1 bilhão. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, defendeu uma tecnologia “agnóstica”, sem amarrar o projeto a uma plataforma.
Em 4 de novembro de 2025, o BC informou aos participantes que construiria uma nova infraestrutura e que a rede de testes seria desligada no dia 10, segundo o Metrópoles. Participantes do mercado argumentavam que manter o ecossistema custaria caro demais. Galípolo disse depois que a tecnologia testada “não se mostrou viável”, segundo a Exame.
Enquanto o Drex era reformulado, stablecoins privadas como o USDT seguiram crescendo como forma de dinheiro digital. Crédito: Boletim Bitcoin.
Qual é a situação do Drex em outubro de 2026?
Os fatos mais recentes:
- Sem uso pelo público. Texto de 3 de setembro de 2026 do Acerto de Contas lembra que não há data de lançamento para pessoas físicas nem cadastro de carteira Drex.
- Nenhuma nova fase aberta. Reportagem da Let’s Money de 31 de agosto de 2026 informa que, depois do fim da segunda fase, nenhuma etapa nova foi aberta, e que fontes do Valor esperam a retomada só em 2027.
- Foco em crédito. O desenho anunciado para a próxima etapa é usar ativos tokenizados como garantia de empréstimos, com liquidação em dinheiro do banco central. O primeiro caso seria a conciliação de gravames: saber se um ativo já foi dado em garantia em outra instituição.
- Mercado seguiu sozinho. A Anbima começou testes de tokenização de fundos e debêntures em julho de 2026 com cerca de 50 instituições, e a B3 desenvolve sua tokenizadora. Veja os detalhes em /tokenizacao-de-ativos/.
Informações oficiais ficam na página do Drex no site do Banco Central.
O Future of Money, da Exame, publicou um vídeo que resume por que a plataforma foi desligada e o que pode vir depois.
O Drex vai acabar com o dinheiro em espécie ou controlar seus gastos?
Esse é o temor mais comum nas redes sociais. Segundo o que o Banco Central informou em 2025, reproduzido pela Folha CG:
- o dinheiro físico continua existindo;
- o uso do Drex não seria obrigatório;
- as operações respeitariam o sigilo bancário e a LGPD.
Além disso, o Drex atual não é uma conta do cidadão no Banco Central. É uma infraestrutura entre instituições, hoje em reformulação.
O que o Drex muda para o investidor comum?
Por enquanto, nada no dia a dia. No futuro, se a infraestrutura de ativos tokenizados avançar, pode haver crédito mais barato com garantia em títulos, como o Tesouro Direto, e produtos de investimento mais fáceis de dividir e transferir.
Quem quer exposição a dinheiro digital hoje usa alternativas privadas, como stablecoins (cotação do dólar digital em /usdt-em-reais/) ou criptomoedas como o bitcoin (/preco-bitcoin/), cada uma com riscos próprios. A política monetária, que define a Selic, continua sendo feita pelo Copom, com ou sem Drex.
Situação do projeto verificada em 25 de outubro de 2026 com base nas fontes citadas.
Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.
Perguntas frequentes
O Drex já está funcionando?
Não para o público. Em outubro de 2026 não há carteira Drex para pessoas físicas. O Banco Central desligou a plataforma de testes em novembro de 2025, e reportagens de agosto de 2026 apontam que a retomada do projeto deve ficar para 2027.
O Drex acabou?
O Banco Central diz que não abandonou o projeto, mas mudou o rumo. Desistiu, por ora, da blockchain usada no piloto e passou a focar no uso de ativos como garantia em operações de crédito, num ambiente que não depende de uma tecnologia específica.
O Drex vai substituir o dinheiro em espécie?
Não. Segundo o que o Banco Central informou em 2025, o dinheiro físico continua existindo e o uso do Drex não seria obrigatório.
Drex é uma criptomoeda?
Não. O Drex foi pensado como uma infraestrutura do Banco Central para liquidar operações com ativos tokenizados em reais. Diferente do bitcoin, seria emitido e controlado pela autoridade monetária, com o mesmo valor do real.
Qual a diferença entre Drex e Pix?
O Pix é um sistema de pagamentos instantâneos entre contas que já funciona desde 2020. O Drex foi pensado para negociar e liquidar ativos tokenizados, como títulos e recebíveis, com regras programáveis, principalmente entre instituições financeiras.
Referências
- Banco Central do Brasil: página oficial do Drex
- Seu Dinheiro: a visão do BC de Galípolo para o Drex em 2026 (14/08/2025)
- Metrópoles: BC desliga plataforma do Drex e muda planos para 2026 (05/11/2025)
- Central do Varejo: Banco Central encerra projeto do Drex e redefine foco (05/11/2025)
- Exame: o que vai acontecer com o Drex em 2026 (30/12/2025)
- Let's Money: Drex parado, B3 e Anbima avançam na tokenização (31/08/2026)
- Acerto de Contas: Drex em 2026, o que já foi testado (03/09/2026)
- Santander: Drex, o que é (atualizado em 28/07/2026)
- Folha CG: BC confirma Drex para 2026 em fase restrita (15/09/2025)
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